Desenvolvida para explorar os chamados asteroides troianos de Júpiter, a sonda Lucy, da NASA, acaba de enviar para a Terra as primeiras imagens de Dinkinesh, a menor das dez rochas espaciais que devem ser examinadas durante os 12 anos programados para a missão.

Com apenas um quilômetro de largura, Dinky, como foi carinhosamente apelidado, assim como os demais alvos da espaçonave, reside na parte interna do Cinturão de Asteroides, região orbital do Sistema Solar repleta de detritos rochosos que fica entre Marte e Júpiter.

Segundo um comunicado da NASA, o asteroide foi capturado entre os dias 2 e 5 de setembro por uma das câmeras de alta resolução de Lucy, a uma distância de 23 milhões de km.

Nas imagens, Dinkinesh é visto como um cisco de luz quase perdido em meio a inúmeros pontos semelhantes – circulado em vermelho nas fotos.

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“Este é realmente um asteroide pequeno”, disse Hal Levison, o principal investigador da missão Lucy, em um comunicado no início deste ano. “Mas, para um asteroide pequeno, esperamos que seja uma grande ajuda para a missão”.

O que são os asteroides troianos, alvos da missão Lucy?

Lançada em outubro de 2021, a espaçonave Lucy está programada para visitar os asteroides troianos de Júpiter, ou seja, uma nuvem de detritos rochosos presa gravitacionalmente ao planeta. Esses fragmentos são considerados remanescentes da infância do Sistema Solar de mais de quatro bilhões de anos atrás. 

Dinkinesh, particularmente, foi adicionado à agenda de Lucy como um exercício de mitigação de risco para testar a eficiência do sistema de rastreamento da espaçonave. Mais especificamente, se ela poderia manter a rocha em seu campo de visão enquanto planava a velocidades próximas a 4,5 km por segundo.

“Dinkinesh permanecerá um ponto de luz não resolvido durante a longa aproximação e não começará a mostrar detalhes da superfície até o dia do encontro”, diz a NASA. 

Nos próximos meses, um programa de navegação óptica a bordo da sonda Lucy vai rastrear a posição de Dinkinesh para um sobrevoo preciso, que finalmente deve acontecer em 1º de novembro, quando a espaçonave estará a apenas 425 km desse asteroide.

A ocasião será útil para avaliar a precisão com que Lucy pode apontar para um alvo, já que um dos dois painéis solares da sonda não se desdobrou adequadamente após o lançamento. No fim do ano passado, a equipe da missão estimou que o conjunto estava 98% implantado e suspendeu novos esforços.

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O nome Dinkinesh se traduz como “você é maravilhoso” em amárico, uma língua oficial na Etiópia, onde os fósseis de 3,2 milhões de anos de um ancestral feminino primitivo apelidado de “Lucy” foram descobertos, em 1974. 

Assim como os fósseis lançam luz sobre a evolução humana, os cientistas acreditam que a espaçonave Lucy vai desvendar a história inicial do Sistema Solar.

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