Neste sábado (14), quase um bilhão de pessoas em grande parte do continente americano poderão assistir à passagem da Lua entre o Sol e a Terra criando um verdadeiro espetáculo celeste: o eclipse solar – evento que será transmitido ao vivo pelo Olhar Digital.

Em algumas localidades, o fenômeno vai formar um “anel de fogo” no céu, inclusive em uma estreita faixa do Norte e Nordeste do Brasil – sendo por isso chamado de eclipse solar anular.

“Anel de Fogo” aparecerá no céu em partes do Norte e Nordeste brasileiros durante o eclipse solar de sábado (14). Crédito: luchschenF – Shutterstock

O que você precisa saber:

  • Visível apenas em partes das Américas, o eclipse solar deste sábado (14) será anular;
  • Na ocasião, determinados trechos do continente verão um “anel de fogo” completo ao redor da Lua;
  • Isso acontece quando a Lua passa entre a Terra e o Sol enquanto está mais distante do planeta;
  • Assim, sua circunferência aparente é menor que a do Sol, formando um aro iluminado em torno dela;
  • Como a Lua tem se distanciado cada vez mais da Terra, no futuro, os eclipses solares totais não serão possíveis.

Durante os eclipses anulares, o Sol não é completamente escondido pela Lua (como acontece em um eclipse total). Isso porque esses eventos ocorrem quando ela está mais distante da Terra, aparecendo bem menor do que o astro no céu. 

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Dessa forma, a Lua cobre apenas o centro do Sol, ficando no meio de um círculo – ou seja, o popularmente chamado “anel de fogo” (saiba mais detalhes aqui).

Um eclipse solar anular ocorre quando a Lua passa exatamente entre a Terra e o Sol, mas não está perto o suficiente do planeta para ocultar todo o disco solar. Crédito: timeanddate.com

Eclipse solar anular vai ocorrer quatro dias após o apogeu lunar

No caso do eclipse desta semana, a Lua terá atingido o ponto mais distante da Terra (conhecido como apogeu) quatro dias antes, na terça-feira (10), ainda estando em uma posição longe o suficiente do planeta para formar o aro.

A distância da Lua em relação à Terra varia porque sua órbita não é perfeitamente circular – é ligeiramente oval, traçando um caminho conhecido por elipse. À medida que ela atravessa esse caminho elíptico ao redor do planeta a cada mês, sua distância varia entre 356.500 km no perigeu (aproximação máxima) e 406.700 km no apogeu.

Imagem: Triff – Shutterstock (Terra/fundo) – Edição: Olhar Digital

Segundo o site Space.com, entre julho de 1969 a dezembro de 1972, os astronautas do Programa Apollo deixaram uma série de refletores a laser na superfície da Lua. Desde então, os astrônomos na Terra têm rebatido rotineiramente lasers desses refletores. 

Ao cronometrar a viagem de ida e volta desses pulsos de laser, a distância lunar pode ser medida com grande precisão. A análise dessas medições demonstrou que a distância média da Lua à Terra está aumentando em cerca de 3,8 cm a cada ano.

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Por que isso está acontecendo?

O movimento da Lua é fortemente perturbado pela atração do Sol e, em menor escala, pela força gravitacional dos planetas. Devido aos efeitos das marés, a Lua está lentamente se afastando da Terra, espiralando para fora e ascendendo para uma órbita mais distante. 

É claro que, à medida que a Lua se afasta progressivamente, seu tamanho aparente diminui até que finalmente ela chegará a um ponto em que estará longe demais para cobrir o Sol por completo durante os eclipses.

No livro “More Mathematical Astronomy Morsels”, de 2002, Jean Meeus, um meteorologista belga e astrônomo amador especializado em mecânica celeste, astronomia esférica e astronomia matemática, diz que é duvidoso que a atual taxa de recessão da Lua a partir da Terra de 3,8 metros por século permaneça constante. Se isso acontecesse, levaria mais de um bilhão de anos até que eclipses totais do Sol se tornassem impossíveis.

No entanto, levando-se em conta o fato de que a excentricidade (a forma) da órbita da Terra varia a uma taxa mais rápida do que o aumento muito lento e gradual da distância da Lua, provavelmente isso deve levar menos tempo para acontecer.

“Consequentemente, de 620 milhões a 1,21 bilhão de anos no futuro, haverá períodos durante os quais eclipses solares totais são alternadamente possíveis e impossíveis, até que finalmente se tornem impossíveis para sempre”.