Pesquisadores conseguiram identificar o gene responsável pela reação celular que faz com que o câncer de próstata se espalhe para outros órgãos.

Essa reação é chamada de metástase e, em alguns tipos de câncer, como o de próstata e de mama, pode se espalhar para os ossos, dificultando o tratamento. A descoberta pode ajudar a prevenir a propagação dentro do corpo.

publicidade

Leia mais:

Como o câncer se espalha

O processo de metástase, que acontece nos casos de câncer de próstata (e em outros) e faz com que a doença se espalhe, envolve interações complexas entre as células de um tumor e o corpo humano.

A ciência, no geral, já sabe que um gene específico, o gene 9, associado à diferenciação do melanoma (MDA-9), é um dos principais fatores para a propagação, mas não se sabe como isso acontece.

Até agora, os cientistas desvendaram qual o papel desse gene na reação celular que leva à metástase e permite que as células do câncer de próstata tomem controle do osso (no caso de uma metástase óssea).

Duas células cancerosas em tons de rosa
Estudo ajuda a entender como as células cancerígenas se espalham (Imagem: Kateryna Kon/Shutterstock)

Como o gene age no câncer de próstata

  • O caminho é longo: primeiro, o MDA-9 ativa o fator de crescimento de plaquetas nas células do tumor para regular o crescimento e a divisão celular delas;
  • Depois, elas a liberam no ambiente – nesse caso, o osso;
  • Lá, as plaquetas específicas se juntam a células-tronco do tecido, que, antes, seriam responsáveis pela produção e reparação de tecidos esqueléticos;
  • Isso leva à liberação de proteína estimuladora de migração, que atrai células cancerígenas para o tecido ósseo.
  • Daí em diante, conforme as plaquetas estimulam as células-tronco a produzirem mais proteína e esta, por sua vez, atrai células do câncer, o osso fica contaminado e, consequentemente, vai se destruindo.

Solução

Sabendo como esse processo funciona, eles conseguiram pará-lo eliminando o gene 9 que desencadeia a reação. Segundo o New Atlas, eles também descobriram que a remoção do gene não impactou o osso de forma negativa.

Mesmo que a pesquisa tenha sido feita para o câncer de próstata, a equipe acredita que pode ser aplicada a outros tipos de câncer que possuem o gene 9 envolvido, como o de cérebro, mama, pulmão, pâncreas e outros. A partir disso, eles desenvolveram novo medicamento que inibe o gene, que está em testes.