Estudo publicado na quinta-feira (16) na Nature Medicine indica que a inteligência artificial (IA) é capaz de detectar em até 13% mais casos de câncer de mama do que médicos, segundo a Folha de S.Paulo.

A pesquisa apontou que a IA pode reduzir drasticamente o número da doença em estágio inicial não-detectados. Estima-se que 20% ou mais dos casos não são detectados com os atuais exames de triagem sem a utilização da tecnologia.

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O estudo, conduzido pelo Imperial College London (Inglaterra), mostrou também como a IA pode ajudar no combate ao câncer, sendo capaz de detectar erros ou sinais difíceis de interpretação e que acabam por ser ignorados por nós.

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Nosso estudo mostra que o uso da IA pode atuar como rede de segurança eficaz, uma ferramenta para evitar que sinais mais sutis de câncer passem despercebidos.

Ben Glocker, coautor do estudo e professor de aprendizado de máquina para imagens no imperial College London

Trabalho de pesquisa

  • O estudo utilizou-se da Mia, ferramenta de IA desenvolvida pela Kheiron Medical Technologies, do Reino Unido, especialista em diagnósticos médicos com IA;
  • Os pesquisadores realizaram análise de dados colhidos de 25 mil mulheres que passaram por exames de triagem para detecção de câncer de mama na Hungria entre 2021 e 2023;
  • Foram três fases de estudo, sendo que, em cada uma delas, os radiologistas utilizaram a IA de maneiras diferentes;
  • Os três grupos apresentaram melhoras nas taxas de detecção da doença de 5%, 10% e 13% respectivamente, quando comparado às leituras padrões realizadas por, ao menos, dois radiologistas;
  • Boa parte dos cânceres adicionais e descobertos eram invasivos, ou seja, com capacidade para se espalharem para outras partes do corpo (metástase).

Ver em primeira mão que o uso da IA poderia reduzir substancialmente a taxa de cânceres não-detectados na triagem de mama é grande impulso para nossa missão de transformar o tratamento do câncer com esse recurso.

Ben Glocker, coautor do estudo e professor de aprendizado de máquina para imagens no imperial College London

“IA benigna”

A pesquisa mostra que a IA é capaz de melhorar a precisão quando se trata de identificar tecidos malignos e, inclusive, acelerar o processo.

Estudos feitos na Suécia e publicados no fim de agosto indicaram que mamografias analisadas com auxílio da IA chegou a uma taxa de detecção de câncer similar à dupla leitura humana padrão.

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Katharine Halliday, presidente do Royal College of Radiologists do Reino Unido, afirmou que a pesquisa envolvendo dados húngaros foi “exemplo promissor de como podemos utilizar a IA para acelerar o diagnóstico e o tratamento” no NHS (serviço de saúde britânico).

Os resultados destacam o potencial da IA para aprimorar a precisão das interpretações de mamografias e apoiar a tomada de decisões clínicas. O estudo enfatiza a natureza complementar da IA e dos radiologistas, prevendo futuro colaborativo que combina as forças de ambos.

Katharine Halliday, presidente do Royal College of Radiologists do Reino Unido

Ainda de acordo com os pesquisadores, a Mia pode economizar até 45% do tempo gasto na leitura dos exames de detecção de câncer de mama. Segundo a Kheiron, dona da ferramenta, a Mia foi testada em 16 hospitais no Reino Unido e está sendo implementada nos EUA.

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Para os pesquisadores, é de suma importância a continuidade às pesquisas para ampliar e aprofundar a forma que a IA pode ser utilizada na detecção da doença.

As áreas a serem priorizadas incluíam a obtenção de resultados de outros países e o uso de outros sistemas de IA voltados para este fim e similares à Mia, além do monitoramento para marcar o surgimento de mais casos de câncer em seu grupo de estudo, indicaram.