Um grupo de pesquisadores estão entusiasmados com uma descoberta realizada na África do Sul. Uma espécie de toupeira, a toupeira dourada de Winton, que há mais de 80 anos pensava-se estar extinta, foi redescoberta viva e bem. 

  • A toupeira dourada de Winton, ou Cryptochloris wintoni, é endêmica das praias arenosas e matagais úmidos da África do Sul;
  • A última vez em que foi avistada foi em 1936, e agora que se descobriu que ela não foi extinta, ela se tornou o 11° animal a entrar na lista de espécies perdidas mais procuradas do Re:wild;
  • A toupeira não foi exatamente encontrada, mas foram descobertos indícios de que ela ainda está viva.

A busca pelo animal faz parte do projeto Pesquisas por Espécies Perdidas, lançado pela Re:wild em 2017, para encontrar e proteger espécies há muito perdidas pela ciência. A pesquisa foi recentemente publicada na revista Biodiversity And Conservation.

Para encontrar a toupeira dourada de Winton os pesquisadores precisaram procurar por até 18 quilômetros de dunas por dia. A busca não foi exatamente pela toupeira dourada de Winton e sim por vestígios deixados por ela. Isso porque, essa tarefa seria extremamente difícil. Esses animais subterrâneos ouvem e detectam sinais na superfície, então em qualquer aproximação furtiva, eles já teriam desaparecido antes que a areia fosse escavada para encontrá-los.

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Vestígios deixados pela toupeira dourada de Winton

Os pesquisadores procuraram pelo seu material genético deixado no ambiente, conhecido como DNA ambiental, ou eDNA. À medida que andam pelo ambiente, vestígios como células da pele, cabelos e fluidos corporais são deixados para trás. Pode parecer que encontrar moléculas minúsculas em um mar de areia seja difícil, mas com certeza é mais fácil que a primeira opção.

Depois de quase 100 amostras recolhidas nas dunas ao longo da costa noroeste da África do Sul, foram encontrados o eDNA de quatro espécies de toupeiras douradas. Duas são comuns, a do Cabo e da Grant, a terceira, a de Van Zyl está ameaçada de extinção e é rara, e a quarta é mais surpreendente, a de Winton.

Eu estava convencido de que seria necessário apenas o método de detecção correto, o momento certo e uma equipe apaixonada por encontrá-lo. Agora não apenas resolvemos o enigma, mas também exploramos esta fronteira do eDNA, onde há uma enorme quantidade de oportunidades não apenas para as toupeiras, mas para outras espécies perdidas ou em perigo.

Cobus Theron, gestor sênior de conservação do EWT e membro da equipa de busca, em comunicado