Nova célula de combustível ‘movida a sujeira’ extrai energia quase ilimitada

Célula de combustível enterrada no solo capta a energia criada na decomposição da sujeira por micróbios
Célula de combustível ‘movida a sujeira’ extrai energia quase ilimitada
Célula de combustível microbiana enterrada no solo e gerando energia. Imagem: Bill Yen/Northwestern University

Uma equipe de pesquisadores da Northwestern University encontrou uma nova forma de gerar eletricidade: usar um dispositivo pequeno enterrado no solo que capta energia criada na decomposição da sujeira por micróbios.

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As células de combustível microbianas, como são chamadas, funcionam como uma espécie de bateria (com ânodo, cátodo e eletrólito). Só que em vez de extrair eletricidade de fontes químicas, elas trabalham com bactérias — que doam elétrons para condutores próximos enquanto se alimentam do solo.

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Um obstáculo do conceito é conseguir mantê-las “abastecidas” com água e oxigênio enquanto ficam enterradas.

Embora (as células) existam como conceito há mais de um século, seu desempenho não confiável e baixa potência de saída frustraram os esforços para fazer uso prático delas, especialmente em condições de baixa umidade

Bill Yen, líder do projeto

Sendo assim, a equipe criou novos designs e obteve sucesso com um deles em forma de cartucho colocado verticalmente em um disco horizontal. 

Como é a célula de combustível ‘movida a sujeira’?

  • Um ânodo de feltro de carbono em forma de disco fica na parte inferior do dispositivo, enterrado no solo, onde pode capturar elétrons enquanto os micróbios digerem a sujeira.
  • O cátodo metálico condutor, por sua vez, fica no topo do ânodo. 
  • Um espaço de ar percorre todo o eletrodo e uma tampa protetora na parte superior impede que sujeira e detritos caiam e interrompam o acesso ao oxigênio. 
  • Parte do cátodo também é revestida com um material impermeabilizante, de modo que sempre haja uma seção em contato com oxigênio para manter a célula funcionando.
O design coloca um ânodo em forma de disco na parte inferior e um ânodo orientado verticalmente apontando para a superfície. Imagem: Bill Yen/Northwestern University

Nos testes, o projeto teve um desempenho consistente em diferentes níveis de umidade do solo, até completamente submerso. Em média, gerou cerca de 68 vezes mais energia do que o necessário para operar os seus sistemas integrados de detecção de umidade e transmissão de dados. 

Enquanto houver carbono orgânico no solo para os micróbios se decomporem, a célula de combustível pode durar para sempre

Bill Yen, líder do projeto
A parte inferior fica profunda o suficiente para ter acesso à umidade do solo profundo, enquanto a parte superior fica nivelada com a superfície. Imagem: Bill Yen/Northwestern University

Tal como acontece com outras fontes de geração de energia de longo prazo, como baterias feitas a partir de resíduos nucleares, a quantidade de energia gerada aqui não é grande o suficiente para operar um carro ou smartphone, por exemplo. Trata-se mais de alimentar pequenos sensores que podem funcionar a longo prazo sem a necessidade de trocas regulares de bateria.

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A pesquisa foi publicada na revista Proceedings of the ACM on Interactive.

Gabriel Sérvio
Gabriel Sérvio

Gabriel Sérvio é formado em Comunicação Social pelo Centro Universitário Geraldo Di Biase e faz parte da redação do Olhar Digital desde 2020.

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