O ator Alec Baldwin está enfrentando uma nova acusação de homicídio culposo pelo disparo fatal ocorrido em 2021 que resultou na morte da diretora de fotografia durante as filmagens do filme Rust.

Um grande júri em Santa Fé, Novo México, formalizou a acusação contra Baldwin na última sexta-feira, meses depois de os promotores terem descartado a mesma acusação anteriormente, conforme relatado pelo The Guardian.

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Relembre o caso do disparo fatal no set de Rust em 2021

Durante um ensaio em outubro de 2021 no set de Rust, um drama do gênero velho-oeste, Baldwin apontou uma arma para a diretora de fotografia Halyna Hutchins, ocasionando um disparo acidental que resultou na morte de Hutchins e ferimentos em Joel Souza, o diretor do filme.

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Baldwin, que também é co-produtor e estrela do filme, alegou que não puxou o gatilho, mas sim puxou a alavanca da arma antes do disparo.

Em abril do ano passado, promotores especiais retiraram a acusação de homicídio culposo contra Baldwin, alegando que a arma poderia ter sido modificada antes do incidente, possivelmente apresentando mau funcionamento, e que uma análise forense mais aprofundada era necessária. Contudo, em agosto, os promotores anunciaram que estavam considerando reabrir as acusações após uma nova análise da arma.

Um relatório elaborado por especialistas em balística e testes forenses, a pedido dos promotores, afirmou: “Embora Alec Baldwin negue repetidamente ter puxado o gatilho, dadas as testes, descobertas e observações relatadas aqui, o gatilho teve que ser puxado ou pressionado o suficiente para liberar o martelo totalmente armado ou retrátil da arma apresentada como evidência.”

Baldwin é indiciado novamente por homicídio culposo

Os promotores apresentaram o novo caso perante um grande júri em Santa Fé nesta semana.

“Estamos ansiosos pelo nosso dia no tribunal”, afirmaram Luke Nikas e Alex Spiro, advogados de defesa de Baldwin, em um e-mail na última sexta-feira.

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Alec Baldwin mata cinegrafista acidentalmente com disparo de arma cenográfica. Imagem: Instagram/Reprodução

Baldwin e seus co-produtores também estão enfrentando ações civis em busca de compensação financeira, movidas por membros da equipe de Rust, mas os juízes suspenderam esses casos enquanto o processo criminal prossegue.

Hannah Gutierrez-Reed, supervisora de armas para Rust, já havia sido acusada anteriormente de homicídio culposo e manipulação de provas. Seu julgamento está programado para fevereiro.

Gutierrez-Reed se declarou inocente no ano passado. Os promotores alegam que ela agiu de maneira imprudente ao entregar a arma carregada para Baldwin no set e a acusaram de não garantir que todos os cartuchos na arma fossem de treinamento. Gutierrez-Reed também foi acusada de beber na noite anterior ao incidente fatal, com os promotores sugerindo que ela estava de ressaca durante o tiroteio.

A acusação de manipulação de provas decorre de alegações de que Gutierrez-Reed deu uma pequena quantidade de cocaína a outra pessoa depois de ser questionada pela polícia.

Os advogados de Gutierrez-Reed, que anteriormente buscaram o arquivamento das acusações de homicídio culposo contra ela, acusaram os promotores de má condução do caso e tentativa de “assassinato de caráter” de sua cliente.

Um ex-promotor especial do caso renunciou no ano passado depois que os advogados de Baldwin buscaram sua remoção devido ao seu papel como representante estadual na legislatura.

Imagem: Arquivo Polícia de Santa Fé, Novo México

David Halls, diretor assistente e coordenador de segurança do filme, se declarou sem contestação por manuseio inadequado de uma arma em março passado. Ele cooperou na investigação e foi condenado a seis meses de liberdade condicional. Ele e Baldwin afirmaram que não sabiam que havia balas reais na arma.

Quando as acusações contra Baldwin foram retiradas no ano passado, o advogado de Halls disse: “O Sr. Halls nunca acreditou que o Sr. Baldwin deveria ser acusado de um crime. Foi um acidente trágico que é melhor resolvido fora do tribunal criminal.”

Repercussões em Hollywood

A empresa de produção do filme Rust também pagou uma multa de US$ 100.000 a reguladores de segurança no local de trabalho do Novo México. A empresa foi acusada de violar protocolos da indústria e de não corrigir problemas que surgiram após dois disparos acidentais no set antes da morte de Hutchins.

A produção de Rust foi retomada em abril do ano passado. Matthew Hutchins, marido da falecida diretora de fotografia, negociou um acordo para se tornar produtor executivo do filme.

A tragédia teve repercussões em Hollywood e levou a melhorias na segurança de armas, afirmaram especialistas do setor.