Cientistas do University of Texas Southwestern Medical Center, nos Estados Unidos, desenvolveram uma máquina inovadora que consegue manter um cérebro de porco vivo por horas deligado do corpo. Esse avanço foi descrito na revista Scientific Reports.

A tecnologia inovadora usa uma bomba artificial avançada para isolar o cérebro do corpo, garantindo que o órgão continue recebendo sangue fresco. Esse sistema é, de certa forma, capaz de ajustar minuciosamente a composição do sangue e seu fluxo.

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Na máquina, vários fatores são considerados, como pressão arterial, volume de sangue, temperatura, nível de oxigênio e nutrientes. Tudo é controlado por um algoritmo computacional que ajusta essas variáveis em tempo real.

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Cérebro vivo por cinco horas

Durante os testes, que utilizaram o cérebro de um porco doméstico, os pesquisadores monitoraram a atividade cerebral com grande detalhe, utilizando técnicas como eletrocorticografia e eletrodos de profundidade. Com sucesso, eles viram que o funcionamento do órgão se manteve estável durante o período de cinco horas em que o cérebro esteve “fora” do corpo.

Dr. Juan Pascual, um dos autores do estudo e professor de neurologia, pediatria e fisiologia na universidade texana, destacou a importância desse método. Segundo ele, essa inovação abre novas portas para a pesquisa cerebral, permitindo estudar o órgão de forma isolada e responder a perguntas que antes eram praticamente impossíveis de se explorar.

Ilustração da pesquisa do cérebro do porco
Imagem: Visão geral esquemática do controle circulatório pulsátil extracorpóreo (EPCC) e mecanismo de controle. ( a ) Constituintes mecânicos do EPCC em relação ao fluxo e troca sanguínea. Sangue arterial ou rico em oxigênio e sangue venoso ou pobre em oxigênio são representados em vermelho e azul, respectivamente. ( b ) Representação dos elementos de controle computadorizados. Relacionamentos entre fontes de dados numéricos, manipulações e saídas – Pascual, J. M. et al. (2023)

Aplicações como sistema extracorpóreo

A equipe por trás dessa inovação vê várias aplicações futuras para a máquina. Uma delas é estudar os efeitos de condições como hipoglicemia no cérebro, sem as compensações metabólicas que o corpo normalmente faria. Isso permite uma análise mais precisa de como certos estados afetam o cérebro diretamente.

Além disso, o dispositivo tem potencial para ser usado em procedimentos médicos complexos. Por exemplo, funcionando como uma espécie de sistema de circulação extracorpórea, similar às máquinas usadas em cirurgias cardíacas para manter o sangue circulando.

Via IFLScience