Poderosa ferramenta de observação cósmica, o Telescópio Subaru (o mais importante do Observatório Astronômico Nacional do Japão, localizado no Observatório de Mauna Kea, no Havaí) acaba de detectar as extremidades dos filamentos de matéria escura que se estendem por milhões de anos-luz no aglomerado de galáxias.

Para quem tem pressa:

  • A matéria e a energia escura constituem 95% da massa do Universo;
  • É extremamente difícil observar a matéria escura;
  • Primeiro, porque ela não emite luz;
  • Segundo, por ser composta de filamentos ultrafinos, como se fosse uma teia de aranha cósmica;
  • Cientistas acabam de identificar parte dessa teia em aglomerado de galáxias próximo do Sistema Solar.
Matéria escura na região do Aglomerado de Coma. A distribuição da matéria escura calculada com base na pesquisa sul-coreana (nuvem verde escura) é sobreposta a uma imagem do Aglomerado de Coma e galáxias de fundo mais distantes tirada pelo Telescópio Subaru, no Havaí. Fios de matéria escura podem ser vistos estendendo-se por milhões de anos-luz. Crédito: HyeongHan et al.

Esta é a primeira vez que fios da teia cósmica que abrange todo o Universo foram detectados diretamente. A descoberta não apenas abre novos horizontes para a compreensão da estrutura do cosmos, como também fornece evidências para testar diversas teorias sobre o princípio e a evolução de tudo.

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Filamentos de matéria escura são observados indiretamente

Embora constitua a maior parte da massa do Universo, a matéria escura não emite luz nem pode ser facilmente observada. Os cientistas acreditam que ela se espalha pelo espaço na forma de filamentos finos. Como os fios de uma teia de aranha, esses filamentos são difíceis de enxergar diretamente, então os astrônomos normalmente tiram conclusões com base em observações de galáxias e gás presos na teia.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade Yonsei, na Coreia do Sul, concentrou seus esforços no aglomerado de Coma, uma região repleta de galáxias localizada a 321 milhões de anos-luz da Terra, na constelação de Coma Berenices. Este aglomerado é particularmente interessante por ser um dos maiores e mais próximos do Sistema Solar.

Isso facilita as observações, mas, de certa forma, também dificulta, pois a distância relativamente curta (em termos astronômicos) impede a visão completa de todo o aglomerado.

Os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada de “lente fraca” para detectar indiretamente esses filamentos. Esta técnica envolve a observação das distorções sutis na luz das galáxias de fundo à medida que ela é curvada pela gravidade dos filamentos de matéria escura. 

Publicados na revista Nature Astronomy, os resultados dessa análise minuciosa não apenas confirmam a presença dos filamentos de matéria escura ligados ao aglomerado de Coma, como oferecem uma visão inédita sobre a extensão dessas estruturas invisíveis que permeiam o Universo.