FTC descobre que funcionários impediram que Elon Musk violasse ordem federal contra o X

Alegações dão conta que Musk ordenou a seus empregados que desse a um grupo de escritores de fora acesso total aos sistemas da empresa
elon musk x
Imagem: kovop/Shutterstock

Após investigação dos “Arquivos do Twitter“, a Federal Trade Comission (FTC) dos EUA não encontrou evidências de que a rede social, agora chamada de X, violou os termos de uma ordem do governo que impôs restrições extremas às práticas de segurança de dados da empresa.

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Desde dezembro de 2022, o órgão vinha investigando alegações de que o dono do X, Elon Musk, ordenou a seus empregados que desse a um grupo de escritores de fora “acesso a tudo”, criando preocupações de que a empresa estivesse fora de conformidade com acordo que colocava rédeas curtas nos dados dos usuários da rede social.

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Musk deu ordens que estavam aquém do acordo, mas funcionários veteranos do ex-Twitter interviram e evitaram que os escritores tivessem acesso direto aos sistemas internos da empresa, de acordo com carta da presidente do FTC, Lina Khan, enviada aos Republicanos nesta quarta-feira (21).

Funcionários de longa data de segurança da informação do Twitter intervieram e implementaram salvaguardas para mitigar os riscos. A investigação da FTC confirmou que a equipe tinha razão em se preocupar, visto que o novo CEO do Twitter havia instruído os funcionários a tomarem medidas que violariam a ordem da FTC.

Lina Khan, em carta enviada aos Republicanos
  • Os autores dos Arquivos do Twitter não tiveram acesso direto aos sistemas do X, mas trabalharam com empregados que os acessaram em seu lugar, segundo a FTC;
  • A conclusão deve prova insatisfação com críticas de Musk, que enxergou a ordem da FTC como das poucas checagens que o governo federal dos EUA fez em sua liderança na rede social;
  • Ex-empregados já haviam alertado desde novembro de 2022 que as demissões realizadas por Musk e a rápida disponibilização do produto poderia ir contra a ordem;
  • Tais ordens tornaram a FTC a reguladora de facto da privacidade tecnológica nos EUA, dada a falta de ação do Congresso acerca de propostas para regular o setor.

A ordem do X, atualizada em 2022 após a companhia ter quebrado um acordo de 2011, requeria que a rede social controle restrito para todos os sistemas que guardassem dados de usuários ou que dessem acesso a essas contas.

Segundo o The Washington Post, a FTC afirma continuar a monitorar a conformidade da companhia com a ordem do órgão.

Quando ouvimos relatos públicos credíveis sobre potenciais violações das proteções dos dados dos utilizadores do Twitter, agimos rapidamente para investigar. O pedido permanece em vigor e a FTC continua a implantar as ferramentas do pedido para proteger os dados dos usuários do Twitter e garantir que a empresa permaneça em conformidade.

Douglas Farrar, porta-voz da FTC, em comunicado

“O X permanece firme em seu compromisso de proteger a privacidade de seus usuários e continuará a trabalhar com a FTC para atender aos requisitos estabelecidos no decreto de consentimento”, disse Renato Monteiro, chefe global de privacidade da empresa.

A carta de Khan pontua meses de justas políticas entre ela e os Republicanos, que se alinharam com a abordagem liberal de Musk à moderação de conteúdo e que denunciaram como “campanha de assédio” à empresa e seu atual dono.

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Jordan caracterizou a abordagem de Khan como “intimidação seguida de inação”. Um subcomitê do qual ele é presidente liberou um artigo denominado “O Armamento da Federal Trade Comission: O Alcance de uma Agência para Assediar o Twitter de Elon Musk”.

O artigo focou na análise da FTC acerca dos Arquivos do Twitter, projeto esse que deu a um punhado de autores externos acesso aos documentos internos da empresa, conforme Musk acusou a ex-liderança do então Twitter de suprimir discursos na plataforma, especialmente durante as eleições presidenciais de 2020.

Os Republicanos aplaudiram tais esforços e o artigo do subcomitê caracterizou a investigação realizada pela FTC sobre o tratamento do assunto como “inquérito governamental sobre atividades protegidas pela Primeira Emenda”.

X (ex-Twitter)
Imagem: sdx15/Shutterstock

Twitter de Musk vs. FTC

A empresa, que foi comprada por Musk em outubro de 2022, já era alvo constante de investigações e críticas da FTC antes mesmo de sua venda. O órgão abriu, ainda antes da aquisição por Musk, investigação acerca das práticas de segurança da rede social após uma pessoa realizar uma denúncia em agosto de 2022.

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Contudo, as tensões entre a agência e Musk vieram a público após apenas algumas semanas da compra. Em novembro de 2022, a FTC tomou atitude impressionante: declarou publicamente que estava analisando os desenvolvimentos na plataforma com “profunda preocupação”, além de que estava preparada para tomar medidas que garantiriam que a empresa cumprisse a ordem.

Mais cedo naquele dia, a ex-chefe do escritório de segurança da informação, Lea Kissner, e outros membros do comitê de governança de dados da empresa renunciaram, ante preocupações de que o rápido lançamento do novo sistema de verificação de Musk não daria tempo suficiente para revisões de segurança requeridos pela ordem da FTC.

Na carta enviada a Jordan, a FTC reporta que um ex-especialista de privacidade e segurança do Twitter contou que o Twitter Blue foi implementado tão rápido que “as revisões de segurança e privacidade não foram conduzidas conforme os processos para desenvolvimentos de softwares da companhia”.

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Outro especialista afirmou à FTC que estava preocupado com “o compromisso de Musk com toda a segurança e privacidade da organização”.

A tensão entre X e FTC explodiu novamente em julho do ano passado, quando o X pediu a uma corte federal que encerrasse a ordem da FTC e tentou impedir a deposição de Musk pela agência. Um juiz federal da Califórnia rejeitou, em novembro, a ação da empresa e negou sua tentativa de brecar a deposição de Musk.

Farrar afirmou que a FTC não descarta abrir novos processos contra o X e continua o litígio na Califórnia para preservar a ordem de consentimento e depor Musk.

Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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