Após onda de calor com El Niño, La Niña trará alívio

A transição para La Niña promete alívio temporário das condições climáticas extremas no Brasil, mas desafios persistem
Ana Luiza Figueiredo
Ana Luiza Figueiredo, editado por Lucas Soares 17/03/2024 16:32, atualizada em 18/03/2024 09:43
Dois dedos mudando faces de três dados para formar a palavra
Imagem: FrankHH/Shutterstock

Após uma temporada marcada por ondas de calor escaldantes e chuvas torrenciais em várias regiões do Brasil, a transição para La Niña traz a promessa de um alívio temporário. O fenômeno oposto ao El Niño está se formando nas águas do oceano Pacífico, indicando uma tendência de resfriamento que pode amenizar algumas das condições extremas vivenciadas recentemente.

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No entanto, especialistas alertam em reportagem do g1 que os desafios persistem, especialmente em regiões já afetadas pela seca, como o Pantanal.

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Transição de El Niño para La Niña

Marcelo Seluchi, coordenador geral do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), ressalta a importância de acompanhar de perto essa transição incomum entre os fenômenos climáticos. Ele destaca que, embora o El Niño tenha provocado um superaquecimento global, com 2023 sendo o ano mais quente da história registrada, é necessário aguardar para avaliar o impacto do La Niña em 2024.

As previsões iniciais indicam que, a partir de junho, o La Niña causará chuvas acima da média em partes da região Norte, Minas Gerais e Bahia, enquanto no Sul, onde as enchentes foram recordes devido ao El Niño, as chuvas devem ficar abaixo da média.

Tércio Ambrizzi, pesquisador do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo (USP), alertou para a possibilidade de que, se o La Niña persistir por muito tempo, a região sul do Brasil poderá enfrentar novamente problemas agrícolas e hídricos.

Impacto na agricultura

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(Imagem: KarlosWest / Shutterstock.com)

O período de transição entre os fenômenos climáticos não foi fácil para o setor agrícola, especialmente no Rio Grande do Sul.

Alencar Rugeri, técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) no estado, descreveu os desafios enfrentados pelos produtores rurais, incluindo atrasos no plantio da soja e o surgimento de doenças que afetaram a produção de milho.

Esses desafios contribuíram para uma queda de 4,7% na previsão da safra nacional de grãos em 2024, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Manutenção da seca

(Imagem: Piyaset / Shutterstock.com)
  • Enquanto o La Niña promete aliviar as ondas de calor, preocupações persistem em regiões já afetadas pela seca.
  • Seluchi alerta para a falta de recuperação dos rios e solos em parte das regiões Sudeste e Centro-Oeste, mesmo com o fim da estação chuvosa, enquanto o Pantanal enfrenta uma situação preocupante com rios abaixo do esperado para esta época do ano.
  • José Marengo, climatologista do Cemaden, ressalta que o resfriamento momentâneo causado pelo La Niña não altera a tendência de aquecimento global a longo prazo, destacando a importância de continuar monitorando os impactos das mudanças climáticas em escala global e regional.
O que é El Niño?

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do oceano Pacífico Equatorial, principalmente na região central e leste. Esse aquecimento altera os padrões atmosféricos e oceânicos, provocando mudanças significativas no clima global. Geralmente, o El Niño está associado a um aumento das temperaturas atmosféricas, chuvas intensas em algumas áreas e secas em outras, influenciando fortemente os padrões de precipitação e temperatura em todo o mundo. Suas consequências podem variar, desde eventos climáticos extremos, como enchentes e secas severas, até impactos na agricultura, pesca e ecossistemas marinhos.

O que é La Niña?

La Niña é o oposto do El Niño e representa um resfriamento anômalo das águas superficiais do oceano Pacífico Equatorial. Esse fenômeno também desencadeia mudanças nos padrões atmosféricos e oceânicos, afetando o clima global. Durante um episódio de La Niña, as temperaturas atmosféricas tendem a diminuir, e as chuvas podem se tornar mais escassas em algumas regiões, enquanto outras enfrentam aumento das precipitações. Isso pode resultar em secas prolongadas, invernos mais rigorosos, e até mesmo eventos extremos, como tempestades tropicais e furacões. Os impactos da La Niña podem afetar a agricultura, recursos hídricos, ecossistemas e economias em escala global.

Ana Luiza Figueiredo
Ana Luiza Figueiredo

Ana Figueiredo é editora de tecnologia do Olhar Digital. É formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Lucas Soares
Lucas Soares

Lucas Soares é editor de Ciência e Espaço no Olhar Digital e formado em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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