Já sentiu uma ânsia de comer mesmo sem estar com fome? Esse não é um sentimento incomum nos humanos e, pelo jeito, nem nos ratos. Acidentalmente, pesquisadores descobriram o motivo por trás disso e tem a ver com a ação de um conjunto de células nervosas nas profundezas do nosso cérebro.

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Como a descoberta foi feita

Publicada na revista Nature Communications, a pesquisa descobriu a relação do conjunto de células nervosas com a manifestação da busca compulsiva por comida.

Mas isso foi acidental:

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  • Os pesquisadores estavam investigando como neurônios da substância cinzenta periaquedutal, uma área na base do cérebro, tem a ver com ansiedade (e não com alimentação);
  • A hipótese inicial era de que a ativação desses neurônios (também conhecidos como células VGAT) deveriam inibir reações de medo e pânico;
  • No entanto, quando eles testaram isso em ratos, a ativação das células fez com que eles buscassem desenfreadamente por alimentos, mesmo se estivessem saciados;
  • Inclusive, os camundongos pareciam gostar do estímulo da célula, ficando mais tempo do lado da caixa onde elas eram ativadas e por vezes superando obstáculos, como uma grade de arames que dá choques de baixa voltagem, para alcançar pedaços de nozes.
(Imagem: Vitória Lopes Gomez/Olhar Digital/DALL-E)

Como isso se aplica ao cérebro dos humanos?

A ciência não sabe exatamente. O que eles puderam concluir é que, ao menos em ratos, foi possível traçar uma conexão entre as células VGAT na região cinzenta periaquedutal com a alimentação compulsiva, com a atividade cerebral dos animais aumentando com os estímulos.

Estudos anteriores indicam que o funcionamento da região analisada é semelhante em humanos e ratos, por exemplo, com ambas espécies desencadeando sintomas de medo e pânico quando são ativadas com corrente elétrica. No entanto, os testes não poderão ser feitos em humanos tão cedo.

De acordo com a Agência FAPESP, a próxima pesquisa do grupo vai tentar entender a predileção dos ratos por alguns alimentos, como salsicha, açúcar, queijo e chocolate, ao invés de legumes e outros alimentos ricos em proteínas.