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O maior projeto de fusão nuclear do mundo entrou recentemente em sua fase final de construção. O Reator Termonuclear Experimental Internacional (ITER), que vem sendo construído desde 2006, começou na terça-feira (28) a montar as últimas peças para concluir sua estrutura. Se tudo ocorrer como o previsto, a máquina deve funcionar pela primeira vez em 2025.

Localizado no sul da França, o ITER representa o esforço conjunto de 35 países para produzir energia limpa e abundante. A tecnologia utilizada para esse propósito será a fusão nuclear, que consiste em comprimir dois núcleos atômicos de tal forma que eles se juntem em um só.

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Este processo libera uma quantidade absurda de energia. Não à toa, é dele que se originam a luz e o calor do Sol. A nível de comparação, uma quantidade desse combustível do tamanho de um abacaxi produz energia equivalente à queima de 10 mil toneladas de carvão, e sem liberar gases estufa. 

Entre os países envolvidos, estão Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido, Suíça, Índia, Japão, Coreia do Sul e os membros da União Europeia. Em nota à agência France-Presse, eles declararam que “a fusão é segura e não representa risco de acidentes”.

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Fusão x fissão

A obtenção de energia por meio de reação nuclear não é novidade no mundo. No entanto, as usinas nucleares que existem desde os anos 50 utilizam outro método para liberar energia dos átomos: em vez de juntar dois núcleos em um, elas “quebram” o núcleo em duas partes, num processo chamado fissão.

Para acontecer, a fusão requer muito mais calor e pressão do que a fissão. O interior do ITER terá de atingir temperaturas próximas a 150 milhões de graus Celsius para fundir os átomos. É quase como recriar o Sol numa máquina.

Bernard Bigot, diretor geral do projeto, afirma que a montagem deverá seguir um “script complicado” nos próximos anos. “Todos os aspectos do gerenciamento de projetos, engenharia de sistemas, gerenciamento de riscos e logística de montagem devem ser executados com a precisão de um relógio suíço”, diz ele. 

A complexidade da máquina fez com que o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, classificasse o ITER como o “maior projeto internacional de ciência já feito na história da humanidade”. Somados, os países envolvidos já investiram cerca de 20 bilhões de euros em sua construção (cerca de R$ 120 bilhões).

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Cientistas querem recriar o processo que ocorre no Sol, onde partículas de hidrogênio sofrem fusão nuclear a todo instante. Imagem: Pexels

Já o presidente francês, Emmanuel Macron, garante que a energia será gerada de forma limpa e segura. Segundo ele, a fusão representa uma “promessa para o futuro” ao deixar para trás as práticas que causam o aquecimento do planeta. 

Entretanto, ainda deve demorar até que a nova tecnologia seja utilizada para abastecer os lares e indústrias. Por ser um projeto experimental, o ITER não irá distribuir a energia obtida. Isso só deve ocorrer por volta de 2050, quando outros reatores estiverem concluídos e funcionando. 

Via: Science Alert