O Telegram “mantém uma cópia das mensagens” e ao Signal faltam “funcionalidades adicionais, como chamadas por vídeo”, afirmou o diretor do WhatsApp, Will Cathcart, à Folha de S. Paulo. O executivo foi entrevistado pela jornalista Patrícia Campos Mello sobre as mudanças na política de privacidade do app e o crescimento da concorrência.

“Muitas pessoas usam o Telegram mais como uma rede social, com grupos muito grandes, canais muito grandes, um local onde figuras públicas querem atingir seus seguidores”, avalia Cathcart, acrescentando que o aplicativo rival tem “um problema real de privacidade e segurança”.

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Sobre o Signal, o executivo diz somente que o WhatsApp é mais “confiável”, e que os dados guarda são apenas os necessários “para manter as pessoas seguras e combater violações como disparos em massa”. O Signal, por outro lado, só registra o número do telefone do usuário.

De fato, os concorrentes possuem visões muito diferentes. O criador do Signal, Moxie Marlinspike – que trabalhou com o WhatsApp na implementação da criptografia – já declarou que a empresa foi fundado sob a premissa de que a vigilância em massa, especialmente por governos e corporações, deveria ser algo impossível.

“Isso representa uma diferença fundamental em como pensamos sobre conceitos como privacidade, segurança e confiança. Não acreditamos que a segurança e a privacidade tenham a ver com o gerenciamento ‘responsável’ dos seus dados sob nosso controle, mas sim sobre como manter seus dados fora do alcance de outras pessoas – incluindo as nossas”, explica Marlinspike.

Will Cathcart é o chefe do WhatsApp no Facebook, responsável por supervisionar o desenvolvimento e a estratégia de todos os produtos relacionados ao aplicativo. Imagem: Facebook/Divulgação

“Acreditamos que o WhatsApp deve se manter um aplicativo para conversas entre duas pessoas, um espaço privado, para pequenos grupos”, diz Cathcart. “Sabemos que as pessoas podem optar por outros aplicativos de mensagens, então depende de nós manter o WhatsApp como a melhor opção”, completou o executivo.

Mal entendido?

Na avaliação de Cathcart, houve um erro de comunicação no anúncio das novas políticas de privacidade do WhatsApp – especialmente em relação ao que dados seriam compartilhados com o Facebook. “Na atualização dos termos, nada muda em relação às mensagens pessoais. A única coisa que muda é que estamos descrevendo novos instrumentos para empresas”, explica o executivo.

As mudanças – que com a polêmica acabaram sendo adiadas – colocam o Facebook como um provedor de soluções para contas empresariais. De acordo com o próprio WhatsApp, essa ferramenta ajudaria a fornecer o necessário “para enviar e receber mensagens. Alguns dos serviços fornecidos por esses provedores de soluções incluem ler, armazenar e responder a mensagens em nome da empresa”.

“Algumas empresas poderão escolher o Facebook, empresa controladora do WhatsApp, para armazenar e responder a mensagens de clientes de maneira segura. O Facebook não usará automaticamente suas mensagens para exibir os anúncios direcionados que você vê, mas as empresas poderão usar as conversas com você para fins de marketing, incluindo anúncios no Facebook”, disse a rede social em uma postagem explicando o conceito de provedor de soluções.

Cathcart garante que a mudança não afetará o conteúdo das mensagens dos usuários. “Quero ser muito claro: nós não conseguimos ver as mensagens privadas. Se alguém manda uma mensagem para um amigo, a gente não consegue ver o que tem na mensagem. Usamos uma tecnologia chamada criptografia de ponta a ponta. Nós não podemos ver e não podemos compartilhar com o Facebook”.

Os dados pessoais repassados ao Facebook são os mesmos desde 2016, segundo o executivo, e servem para combater violações às normas da plataforma. “Por exemplo, o horário em que o usuário acessou o aplicativo e o endereço de IP de onde você está acessando o WhatsApp (isso está previsto no Marco Civil da Internet)”, explica Cathcart.

Via: Folha de S. Paulo

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