Menos de um mês após a criação do sindicato Alphabet Workers Union (AWU) — originado por trabalhadores do Google dos Estados Unidos e Canadá —, funcionários do Google espalhados pelo mundo anunciam a formação de uma nova aliança sindical global: a Alpha Global.

No início de janeiro, 227 funcionários do Google anunciaram a CWA, com o intuito de lutar contra retaliações da Alphabet, dona do Google, e contratos governamentais controversos. O sindicato ganhou novos adeptos com o passar das semanas, aumentando a quantidade de seus membros para 700, mas os esforços estavam voltados para escritórios localizados nos EUA e Canadá.

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Contudo, o sinal foi importante para que trabalhadores do Google de dez países (Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Suíça, Irlanda, Itália, Bélgica, Suécia, Finlândia e Dinamarca) criassem um sindicato a nível global.

“Sabemos que a organização por justiça em uma empresa global como a Alphabet não acaba nas fronteiras nacionais. Por isso é tão importante a união com os trabalhadores de outros países” afirmou Parul Koul, presidente executivo do Alphabet Workers Union e engenheiro de software do Google.

Cartaz com protestos contra o Google
Movimento indica união dos trabalhadores do Google contra abusos e retaliações da gigante de tecnologia. Foto: UNI Global Union/Divulgação

Objetivo do sindicato global

Segundo os organizadores da Alpha Global, o sindicato global abordará o tratamento de moderadores de conteúdos em certos países, lutará pelos direitos dos funcionários da Alphabet e denunciará casos de trabalhadores sendo forçados a assinar acordos de sigilo.

Inicialmente, a entidade não poderá forçar negociações por parte da administração do Google, já que não possui um acordo legal vinculado à empresa. Mas talvez, o contrato de neutralidade nem seja necessário.

Isso porque a Alpha Global será afiliada à UNI Global Union, uma federação de sindicatos que representa 20 milhões de pessoas no mundo todo. Em 2020, a UNI Global Union ajudou a organizar uma greve internacional de funcionários da Amazon durante a Black Friday, mesmo sem um acordo legal em vigor com a companhia.

Greve de funcionários da Amazon
Funcionários da Amazon fizeram greve durante a Black Friday de 2020. Foto: Make Amazon Pay/Divulgação

Tudo foi possível com a ajuda de mais de 400 legisladores, mas o principal fator foi o engajamento e a união dos trabalhadores. Estes na verdade, são os principais pontos para que a Alpha Global ganhe cada vez mais relevância no mundo.

“Eles [trabalhadores de tecnologia do Google e de outras empresas] estão usando sua força coletiva não apenas para transformar suas condições de trabalho, mas também para lidar com questões sociais causadas pela concentração crescente do poder corporativo”, disse a secretária-geral da UNI, Christy Hoffman.

A criação do sindicato Alpha Global serve como alerta para os abusos e explorações das gigantes de tecnologia e é de se esperar que funcionários de outras empresas também se reúnam em prol dos seus direitos, caso o sindicato global formado pelos funcionários do Google seja bem-sucedido.

Via: The Verge