A sonda Hayabusa, da Agência Espacial Japonesa (Jaxa), voltou à Terra em 2010 após coletar amostras do asteroide Itokawa, que viaja próximo ao nosso planeta. Mais de 10 anos depois, um estudo da Royal Holloway, da Universidade de Londres (RHUL), publicado na revista Science Advances, afirma ter encontrado água e compostos orgânicos na poeira do Itokawa, algo que nunca havia sido identificado em asteroides.

De acordo com os pesquisadores, as substâncias teriam se formado no próprio Itokawa após receber elementos de fora e combiná-los em sua superfície por bilhões de anos. O asteroide teria incorporado a água e os compostos orgânicos da mesma maneira que a Terra fez, o que poderia ajudar a explicar o surgimento de vida no nosso planeta.

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Algumas partículas analisadas continham o mineral piroxena, que possui água em sua estrutura cristalina. Já a matéria orgânica se trata de grafite nanocristalino e carbono poliaromático desordenado.

Amostras do asteroide Itokawa. Créditos: ISAS-JAXA

Cientistas acreditam que o Itokawa é um fragmento de um asteroide maior que pode ter se chocado com algo. Ele é classificado como rochoso e como corpo celeste do tipo S, justamente o tipo que estudos afirmavam ser secos. Ou seja, não continham água e compostos orgânicos como encontrados nas amostras, segundo a Royal Holloway.

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Hayabusa 2: missão japonesa trouxe amostras de asteroide para Terra

No dia 14 de dezembro de 2020, a Agência de Exploração Aeroespacial Japonesa (Jaxa), confirmou que a missão Hayabusa 2, que foi lançada ao espaço em 2014 com a missão de trazer amostras do asteroide Ryugu à Terra, cumpriu seu objetivo.

Após recolher materiais do asteroide duas vezes, a cápsula com o conteúdo voltou para nosso planeta no começo de dezembro e rapidamente foi enviado para um laboratório móvel para análise.

No entanto, até então, os engenheiros da agência não tinham certeza se o veículo havia de fato conseguido alguma amostra. Felizmente, ao abrir o recipiente, foi confirmado “uma amostra granular de areia preta que se acredita ser derivada de Ryugu” na parte externa da cápsula.

Além disso, havia uma resquícios de gás dentro do coletor que “diferia da composição atmosférica da Terra”, confirmando a visita ao asteroide. Em uma imagem compartilhada no Twitter, é possível ver um pouco da poeira trazida pela cápsula, bem como o esquema de composição do recipiente.

No fim do ano, o material foi compartilhado com a Nasa e outras agências. Os especialistas acreditam que, ao contrário dos pedaços de asteroide que caem na Terra, as amostras trazidas pela missão Hayabusa 2 estão livres de contaminação terrestre, o que vai garantir pistas sobre como o nosso planeta – e até a vida – se formou inicialmente.

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