Espaçonave da Nasa vai sobrevoar asteroide Bennu para ver estrago causado após pouso

André Lucena
André Lucena 02/04/2021 16:16, atualizada em 02/04/2021 16:24
Nasa divulgou imagem do asteroide Bennu
Imagem do asteroide Bennu captada pela sonda OSIRIS-REx. Créditos: NASA

A espaçonave Osiris-Rex, da Nasa, que pousou no asteroide Bennu no dia 20 de outubro de 2020 após orbitar a rocha espacial por dois anos, vai sobrevoar novamente o local de pouso na próxima quarta-feira (7) para registrar o estrago feito.

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“A equipe Osiris-Rex decidiu adicionar este último sobrevoo depois que a superfície de Bennu foi significativamente perturbada pelo evento de coleta de amostra. Durante a aterrissagem, a cabeça de amostragem da espaçonave afundou 1,6 pés (48,8 centímetros) na superfície do asteroide e, simultaneamente, disparou uma carga pressurizada de gás nitrogênio”, explicou a Nasa.

Assista ao vídeo que mostra o momento do pouso:

É preciso ver a “a extensão da bagunça que a espaçonave fez”, completou a agência espacial dos Estados Unidos, que lembrou que os propulsores disparados para afastar Osiris-Rex também perturbaram a superfície de Bennu.

O sobrevoo será a 3,7km de distância do local do pouso. Depois disso, a Osiris-Rex continuará a orbitar o asteroide até 10 de maio, quando dará início a uma viagem de retorno de dois anos à Terra com previsão de aterrissagem em 24 de setembro de 2023.

Ilustração da Nasa mostra como será o sobrevoo da Osiris-REx no local de pouso no asteroide Bennu. Créditos: Nasa
Ilustração mostra como será o sobrevoo da Osiris-REx no local de pouso no asteroide Bennu. Créditos: Nasa

A escolha de maio não foi aleatória. Segundo Michael Moreau, gerente assistente de projeto da Osiris-REx, essa data favorece a manobra de volta porque vai consumir a menor quantidade de combustível.

Os pedaços de Bennu chegarão aos cientistas por meio de uma cápsula de retorno de amostra lançada pela espaçonave. Durante a viagem, a Nasa vai comparar as imagens de antes e depois do local do pouso.

Nasa mostrou foto do local antes do pouso da da Osiris-REx no asteroide Bennu. 
Créditos: Nasa
Nasa mostrou foto do local antes do pouso da da Osiris-REx no asteroide Bennu.
Créditos: Nasa

Asteroide Bennu é uma “cápsula do tempo”

Segundo a Nasa, o asteroide contém material do início do Sistema Solar, e pode representar uma verdadeira “cápsula do tempo” para compreender os precursores moleculares da vida e dos oceanos da Terra.

O principal atrativo de Bennu é que sua história remonta ao início da formação de nossa vizinhança cósmica, antes mesmo da formação do Sol. Acredita-se, inclusive, que ele já tenha sido um grande protoplaneta antes de colidir com outro asteroide. Espera-se que as rochas coletadas tragam mais evidências sobre o início do Sistema Solar. As amostras serão levadas para o Johnson Space Center, em Houston, e distribuídas para laboratórios de todo o mundo.

Nasa divulgou imagem do asteroide Bennu
Nasa divulgou imagem do asteroide Bennu. Créditos: Nasa

Nasa trabalha para proteger amostras de asteroide Bennu

O plano inicial era de pegar cerca de 60 gramas de material, mas uma quantidade maior foi coletada. Por conta disso, rochas maiores podem ter mantido o espaço reservado um pouco aberto e, com isso, pedaços menores foram vistos escapando da espaçonave.

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Thomas Zurbuchen, administrador associado da Nasa, afirmou que “embora possamos ter que nos mover rapidamente para armazenar a amostra, não é um problema ruim”. Além disso, acrescentou que a equipe está animada para ver “o que parece ser uma amostra abundante que inspirará a ciência por décadas além deste momento histórico”.

Por outro lado, Dante Lauretta, líder da equipe de ciência da agência espacial, falou que a perda de amostra é sim uma preocupação. “Por isso, estou incentivando fortemente a equipe a armazenar esta amostra preciosa o mais rápido possível”, destacou.

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Com base nos dados, a Nasa acredita que tem “muito mais do que 60 gramas de regolito” e ajustou seus planos para proteger o material o mais rápido possível. A primeira dessas medidas foi o cancelamento de uma medição das amostras. Nela, o braço mecânico da espaçonave seria movido. Além disso, uma queima de frenagem também estava planejada e foi cancelada.

Leia mais:

“Asteroide do fim do mundo”

Bennu cruza a órbita terrestre a cada seis anos e, de acordo com cálculos de astrônomos, o asteroide tem 1 chance em 2.500 de colidir com a Terra no ano 2135. Mesmo assim foi apelidado de “asteroide do fim do mundo” e é monitorado pela Nasa desde sua descoberta em 11 de setembro de 1999.

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Ele possui um pouco mais de 490 metros de diâmetro, é feito de material solto, agrupado pela gravidade, e apresenta uma superfície coberta de pedras e rochas do tamanho de carros e casas.

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André Lucena
André Lucena

Pai de três filhos, André Lucena é o Editor-Chefe do Olhar Digital. Formado em Jornalismo e Pós-Graduado em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte, ele adora jogar futebol nas horas vagas.

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