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No topo do ranking de países que mais vacinaram contra a Covid-19, em números absolutos, os EUA já contam com mais de 130 milhões de pessoas protegidas contra o vírus. De acordo com o Centers for Medicare and Medicaid Services (CMS), agência de sistemas de seguros de saúde gerida pelo governo, a administração pública é responsável por todos os custos relacionados à imunização, garantindo amplo acesso à vacina para todos os americanos. Mas, algumas empresas de saúde estão cobrando dos receptores pelas doses aplicadas, prática abusiva e não permitida pelo órgão regulador.

Fila de vacinação nos EUA: empresas estão cobrando ilegalmente pelas doses aplicadas. / Photo Spirit / Shutterstock

Em Washington DC, a startup de cuidados primários de saúde One Medical atribui a cobrança de taxa administrativa feita a algumas pessoas aleatórias como um “erro no sistema de faturamento”. Responsável pela vacinação na Arena de Esportes e Entretenimento do Distrito de Columbia, a empresa também teria condicionado a aplicação do imunizante à inscrição de uma conta teste junto à companhia.

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Segundo um médico membro da startup, pacientes afetados “estão sendo notificados” e devem desconsiderar a conta. “Estamos monitorando diariamente para garantir que nenhuma nova fatura saia”, manifestou-se a corporação em comunicado oficial. Sobre induzir as pessoas a preencherem uma inscrição de associação teste, a alegação é de que o formulário seria, apenas, para fornecimento de informações necessárias para fazer os prontuários dos vacinados no local.

No site do CMS, a agência informa que os provedores de vacinação não podem: cobrar pela vacina; cobrar diretamente por quaisquer taxas de administração, copagamentos ou cosseguro; negar vacinação a qualquer pessoa que não tenha cobertura de seguro saúde, esteja inadimplente com o seguro ou fora da rede; cobrar uma visita ao consultório ou outra taxa do destinatário, se o único serviço prestado for uma vacinação da Covid-19; requerer serviços adicionais para que uma pessoa receba o imunizante.

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Autoridades de saúde em todo o país estão trabalhando pela distribuição justa da vacina, removendo barreiras para inscrições, como sites complexos ou fiscalizando cobranças indevidas associadas à imunização.

Mas, os esforços não têm sido suficientes para conter práticas ilegais, que têm acontecido em várias regiões do país. De acordo com o Departamento de Serviços de Saúde do Texas, uma clínica em Houston cobrou das pessoas US$ 30 para cada dose da vacina. A rede de farmácias Walgreens, segunda maior do ramo nos EUA, estaria exigindo que pessoas criem uma conta on-line para se inscrever para uma consulta de vacina. Organizações de direitos do consumidor pediram à Procuradoria Geral americana que abra investigação para descobrir como as empresas estão usando esses dados.

One Medical vacinou amigos e familiares da liderança da empresa

Reportagem investigativa da Rádio Pública Nacional (NPR), realizada em fevereiro, descobriu que a One Medical estava aplicando a vacina contra a Covid-19 em pessoas que não eram elegíveis na Califórnia e no estado de Washington. Os departamentos de saúde desses estados pararam de distribuir doses para a empresa depois das denúncias de que as regras de prioridade não estavam sendo respeitadas.

Em muitos estados, pessoas mais velhas ou com comorbidades deveriam ser vacinadas primeiro. Os mais jovens e saudáveis, apenas depois desse grupo. 

A startup alega que seu sistema de programação de vacinas não pediu às pessoas para confirmarem se eram compatíveis às diretrizes locais de prioridade. “Impedir que as pessoas se inscrevessem seria muito difícil do ponto de vista tecnológico”, disse um porta-voz da empresa. Entretanto, de acordo com a NPR, familiares e amigos de membros da liderança da One Medical teriam sido priorizados na fila de vacinação.

Fonte: The Verge

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