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Golpes no mundo virtual se tornaram ainda mais comuns na pandemia. Com o aumento das compras on-line nesse período, o registro de fraudes digitais teve um crescimento igualmente acelerado. Pesquisa realizada pela TransUnion, companhia internacional de soluções de informação e insights de dados, indica que o roubo de identidade on-line, conhecido por phishing, é o principal esquema de cibercrime em todo o mundo. No Brasil, o furto de cartões de crédito e cobranças fraudulentas correspondem a 26% das reclamações.

De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABCOMM), o ano de 2020 registrou crescimento de 68% das vendas on-line, com um faturamento de R$ 126,3 bilhões. Foram mais de 300 milhões de pedidos realizados pelos consumidores em todo o país. 

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Com essa explosão das comercializações pela internet, os cartões de crédito virtuais passaram a ser cada vez mais utilizados. Eles reduzem o risco de clonagem em relação aos cartões físicos, mas, infelizmente, não são capazes de evitá-lo. Dados da Fecomércio mostram que o país tem média de R$ 60 bilhões em prejuízos oriundos desse tipo de crime a cada ano.

Cartões de crédito digitais, como do Nubank, também podem ser furtados. / Créditos: Blog Nubank

Emile Santos, cliente do Nubank, relata que foi notificada pela instituição sobre uma movimentação suspeita: “Recebi a notificação de confirmação do cartão do app UBER, mas como nem tinha o aplicativo baixado no celular, estranhei e o bloqueei imediatamente. No dia seguinte, eu desbloqueei e, por volta das 14h, recebi outra notificação, dessa vez do app do Burguer King, que eu também não tinha no celular. Mas, essa última, eu não bloqueei a tempo e chegou a confirmação de uma compra de R$66,70. Imediatamente bloqueei e reportei no app do Nubank. Apaguei o cartão virtual e eles, a princípio, cancelaram a compra e estornaram o valor”.

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Segundo a cliente, que não revelou idade nem profissão, a instituição informou por e-mail que, como o Burguer King já havia processado a compra, não seria possível o cancelamento. “Ao menos me deram um crédito com o mesmo valor. Confesso que fiquei bem insegura, pois não imaginava que isso poderia acontecer”, relatou Emile. Para maior proteção, ela gerou um novo cartão virtual no aplicativo, mas deixa bloqueado e só desbloqueia quando necessita comprar algo.

Casos semelhantes ao de Emile são relatados por outros clientes da fintech. Grande parte das queixas envolve pagamentos a empresas das quais os reclamantes não são clientes, falta de notificação do banco, transações físicas executadas em cidades em que essas pessoas não estiveram e testes de gastos em baixos valores. Elogios ao atendimento do banco também são constantes na maioria dos relatos. Entretanto, muitos deles questionam a segurança do aplicativo. Os registros constam na área “Comunidade” do site da instituição.

Sobe o índice de endividamento

Além do aumento do número de crimes financeiros digitais, o crescimento das compras virtuais reflete também num maior risco de endividamento da população. O percentual de famílias endividadas (com dívidas em atraso ou não) no país chegou a 66,5% em janeiro deste ano, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Desse total, 80,5% correspondem a dívidas com o cartão de crédito, o que representa um recorde histórico.

Fontes: ABCOMM / TransUnion

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