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À primeira vista, ver um leão bocejar pode parecer somente algo comum nos felinos, que nós já observamos nos nossos gatinhos domésticos quando eles estão com sono. Porém, nos reis da selva os bocejos vão muito além e podem ajudá-los a sincronizar os movimentos de seus bandos. 

A descoberta foi feita meio que por acaso por Elisabetta Palagi, etologista da Universidade de Pisa, na Itália. A bióloga estava estudando o comportamento de hienas pintadas na África do Sul, durante as expedições, não era incomum que ela e seus colegas conseguissem observar leões ao mesmo tempo. 

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Em uma dessas observações, ela percebeu os animais bocejavam com bastante frequência e esses bocejos eram contagiosos, mas concentrados em curtos períodos de tempo. 

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Bocejar é algo quase que onipresente entre os animais vertebrados e os cientistas acreditam que ele tem a função de aumentar o fluxo sanguínea para o crânio. Isso ajuda a resfriar o cérebro e auxilia a entrar em um estado de alerta, especialmente antes e depois do repouso. 

Algo comum em animais sociais

Sincronia é importante para que os leões consigam ser mais eficientes na caça e cuidado com os filhotes. Crédito: Wikimedia Commons

Peixes e répteis também bocejam, mas animais mais sociais, como pássaro e mamíferos que se organizam em bandos, esse comportamento pode ter sido cooptado para propósitos que auxiliam na vida em comunidade. 

Nos humanos, por exemplo, existe o componente do “contágio”, que é quando uma pessoa boceja, a outra sente vontade de fazer o mesmo imediatamente, algo que também ocorre com outras espécies, como macacos e periquitos. 

Mas nos leões isso parece ir além, em quatro meses de observações, os pesquisadores notaram que após ver um membro do bando bocejar, a probabilidade de um outro leão retribuir da mesma forma era até 139 vezes maior. Além disso, os que imitaram o primeiro movimento tinham até 11 vezes mais chances de imitar os movimentos seguintes do primeiro leão. 

Um exemplo disso era a seguinte dinâmica: um leão boceja, um segundo também, o primeiro começa a caminhar e se deita em um canto e o outro faz a mesma coisa. Segundo Palagi, isso pode ser usado para manter a coesão social do grupo, harmonizar seus movimentos e deixar todos os seus membros sempre na mesma página. 

Com informações da Science News

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