Pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém desenvolveram uma tecnologia que permite testar novas drogas sem o uso de animais. Isso pode representar uma revolução na ciência e, ainda, livrar milhões de cobaias vivas de experimentos em laboratório. Trata-se de um microchip produzido com tecido humano capaz de simular as reações do organismo de uma pessoa.

Esse tecido apresenta sensores microscópicos que possibilitam o monitoramento, com precisão e em tempo real, das respostas do corpo a tratamentos com medicamentos específicos.

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Tecnologia israelense pode acabar com o sofrimento desnecessário imposto aos animais em testes in vivo. / Imagem: Andrea Izzotti – Shutterstock

Por meio da introdução de cisplatina (medicamento tradicionalmente usado no tratamento de câncer), os cientistas testaram a eficácia do chip, que replicou o efeito da droga em humanos e comprovou, ainda, que o remédio provoca acúmulo de gordura nos rins.

Em outro momento do teste, a cisplatina foi introduzida em conjunto com a empagliflozina, um medicamento para diabetes. A partir da reação do chip a essas substâncias, foi possível provar que a empagliflozina, em presença da cisplatina, consegue diminuir a gordura nos rins.

Com o sucesso do experimento, que foi publicado na revista científica Science Translational Medicine, os pesquisadores requereram a patente e a aprovação de um novo remédio sem a realização de testes em animais à Food and Drug Administration (FDA), agência de saúde dos EUA. O medicamento é uma combinação da cisplatina com empagliflozina, para ser usado no combate à esteatose hepática (excesso de gordura no fígado).

Pesquisadores realizaram testes usando chip para simular efeitos em tecidos humanos. / Imagem: Universidade Hebraica de Jerusalem/Divulgação

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Yaakov Nahmia, diretor do Centro Alexander Grass de Bioengenharia da Universidade de Jerusalém, disse que é a primeira vez que se solicita a aprovação de uma droga sem testes em animais. Ele explica que esses testes, além de prejudicarem a saúde desses seres, muitas vezes fornecem resultados imprecisos. “Os bichos possuem genética, fisiologia e metabolismo diferentes dos nossos. Por isso, muitas vezes, falham em replicar a reposta humana, por mais próximos que possam parecer”, afirmou. Um levantamento da FDA apontou que 92% dos medicamentos aprovados em testes com animais falham quando aplicados em humanos. 

Testes em animais são demorados. Levam, no mínimo, quatro anos para apresentarem resultados consideráveis. E, de acordo com Nahmia, podem custar milhões de dólares. Por sua vez, o medicamento criado pelos pesquisadores de Jerusalém foi concluído em apenas oito meses, por uma fração do custo e sem o uso de um único bicho. “Podemos economizar tempo, dinheiro e, principalmente, sofrimento desnecessário”, garantiu o cientista.

Príncipio dos 3Rs

Essa preocupação não é uma moda, nem tampouco trata-se de um movimento recente. No fim da década de 50, os pesquisadores William Russel e Rex Burch criaram o “princípio dos 3Rs”, para proteção dos animais usados em testes.

Os 3Rs correspondem às iniciais, em inglês, de Reduction, Refinement e Replacement (redução, refinamento e substituição).

Por “redução” entende-se a preocupação em diminuir o índice de seres vivos utilizados em experimentos. O “refinamento” procura minimizar a dor e o estresse do animal, por meio de melhores condutas em uma pesquisa. Por fim, o conceito de “substituição” busca constantemente por métodos alternativos ao uso de animais em testes.

Esses princípios estimulam o desenvolvimento de melhores modelos e ferramentas que se assemelhem mais à biologia humana, com maior possibilidade de eficácia e segurança, além de poupar sofrimento.

Fontes: Sustentabilidade no Ar / Bio em Foco

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