O vírus Oropouche é transmitido de animais para humanos e possui sintomas muito próximos da dengue e outras doenças relacionadas. No entanto, até onde se sabe, o Oropouche dificilmente causa casos graves.

A primeira vez que a doença foi descrita foi na década de 1960, em Trinidad e Tobago. No Brasil, a Amazônia já registrou algumas epidemias do vírus. Assim como a dengue e a febre amarela, o Oropouche também pode ser transmitido por um mosquito.

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O sintoma mais comum do vírus Oropouche é a chamada febre Oropouche. O diagnóstico pode ser feito por exame de sangue e não há um tratamento específico, o mais comum é com medicamentos para baixar a febre.

“Certamente essa doença é subnotificada, sendo muitas vezes confundida com outras arboviroses. É considerada de baixa gravidade, mas o preocupante é que ainda não sabemos quais as possíveis consequências da infecção para o sistema nervoso no longo prazo”, disse Luis Lamberti Pinto da Silva, professor na FMRP-USP à Agência Fapesp.

Detalhes do vírus Oropouche

Os pesquisadores alertam pelo fato de o Oropouche ser transmitido por insetos e ter um grande potencial de chegar em grandes centro urbanos, assim como ocorreu com o vírus da Zika. “O Oropouche é um vírus que tem um grande potencial de emergência, porque o Culicoides paraensis (borrachudo) está distribuído por todo o continente americano. O vírus pode sair da região amazônica e do planalto central e chegar às regiões mais povoadas do Brasil”, explicou Luiz Tadeu Moraes Figueiredo, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), durante uma palestra em 2017.

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Uma outra recente descoberta aponta pelo fato do vírus Oropouche conseguir se replicar dentro das células humanas. Fato esse que nunca havia sido encontrado em outro vírus. “Não sabemos ao certo qual é a consequência do sequestro do complexo de Golgi para a célula hospedeira”, completou Silva.

“Essa forma de sequestro do complexo de Golgi, por meio do uso de proteínas ESCRT, nunca havia sido demonstrado para nenhum outro vírus. É uma descoberta que aponta novos alvos a serem explorados na tentativa de barrar a infecção”, disse Natalia Barbosa, doutoranda na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP) também à Agência Fapesp.