Fenômenos violentos do centro da Via Láctea foram revelados com uma clareza inédita, em pesquisa do astrônomo Daniel Wang, da Universidade de Massachusetts Amherst. As imagens da região central da galáxia, divulgadas na quinta-feira (27), documentam uma linha de raios X, G0.17-0.41.

Essa linha de raios X sugere um mecanismo interestelar até então desconhecido que pode governar o fluxo de energia e, potencialmente, a evolução da nossa galáxia. Professor do departamento de astronomia da universidade, Wang destacou que a “galáxia é como um ecossistema”.

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“Nós sabemos que os centros das galáxias são onde está a ação e desempenham um papel enorme em sua evolução”, disse o astrônomo. Mesmo assim, o que quer que esteja acontecendo no centro da Via Láctea é difícil de estudar, apesar da relativa proximidade da Terra.

Segundo Wang, essa dificuldade existe porque a região está obscurecida por uma névoa de gás e poeira densa. Por isso, os pesquisadores não conseguem ver o centro, mesmo com instrumentos poderosos, como o Telescópio Espacial Hubble.

Para conseguir captar as imagens, Wand usou um telescópio diferente. Ele utilizou o Observatório Chandra da Nasa, capaz de enxergar raios X, ao invés de raios de luz visível. Eles conseguem penetrar a névoa, trazendo resultados impressionantes.

As descobertas fornecem a imagem mais nítida de um par de plumas que emitem os raios X, emergindo da região próxima ao gigantesco buraco negro localizado no núcleo da Via Láctea. Mais intrigante é o fio de raios X denominado G0.17-0.41, descoberto perto da pluma ao sul.

“Esse segmento revela um novo fenômeno. Esta é a evidência de um evento de reconexão de campo magnético em andamento”, acrescentou Wang. Segundo ele, o tópico provavelmente representa “apenas a ponta do iceberg da reconexão”.

Centro da Via Láctea
Detalhes do centro da galáxia marcados por Wang. Sagittarius A* é o buraco negro no centro da Via Láctea. Imagem: NASA/CXC/UMass/Q.D. Wang; Radio: NRF/SARAO/MeerKAT

Esse evento de reconexão de campo magnético acontece quando dois campos opostos são forçados a se combinarem, liberando muita energia. Justamente o processo violento descrito por Daniel Wang. Mais perto de casa, esse evento é responsável por fenômenos como erupções solares.

Agora, os cientistas acreditam que a reconexão ocorre também no espaço interestelar, nas fronteiras externas das plumas em expansão expulsas do centro da galáxia. O astrônomo lista questões fundamentais que vão ajudar cientistas a desvendar a história da Via Láctea.

“Qual é a quantidade total de energia emitida no centro da galáxia? Como ela é produzida e transportada? E como ela regula o ecossistema galáctico?”, perguntou. Mesmo com muito a descobrir, o mapa de Wang já mostra o caminho.

As descobertas do professor Daniel Wang são resultado de mais de 20 anos de pesquisa. Os detalhes do estudo das imagens foram publicados no site Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Mais imagens da galáxia podem ser vistas no site do telescópio usado pelo astrônomo.

Via: UMass

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