Novas pesquisas sugerem a existência de um grande número de exoplanetas errantes, que vagam à deriva pelo universo, sem estarem “presos” a nenhuma estrela. Como estão longe do calor estelar, que é um dos agentes responsáveis pelo surgimento da vida, a solidão desses planetas provavelmente faz deles inabitáveis. Ainda assim, segundo um novo modelo matemático, eles podem ter luas habitáveis.

Algumas das luas desses planetas solitários, com condições muito específicas, poderiam abrigar atmosferas e água líquida. Isso pode acontecer por conta de uma combinação de radiação cósmica e as forças de maré exercidas nos satélites pela interação gravitacional com seus planetas.

As estimativas dessas pesquisas sugerem que pode haver pelo menos um exoplaneta gasoso gigante, com tamanho parecido com o de Júpiter, para cada estrela da Via Láctea.

Caso essa estimativa esteja certa, existem pelo menos 100 bilhões de exoplanetas. Além disso, pesquisas anteriores já apontavam que ao menos alguns desses exoplanetas poderiam ter sido retirados de seus sistemas domésticos junto com exoluas.

publicidade

Como é por aqui?

Na Terra, especificamente, a maior parte da vida depende de uma cadeia alimentar baseada em fotossíntese, ou seja, ela necessita da luz e do calor do sol. Esse calor também é o que ajuda a manter a água líquida na superfície da Terra, o que é um requisito básico para a existência da vida como conhecemos.

A esmagadora maioria da vida na Terra depende da fotossíntese. Crédito: Nachhaltige Rohstoffe/PxHere

Porém, além da linha de gelo do Sistema Solar, que é um local onde se espera que a água líquida congele, existem lugares onde ela ainda pode ser encontrada. Esses locais são as luas de gelo Ganimedes e Europa, na órbita de Júpiter, e Enceladus, na órbita de Saturno.

Envoltas em grossas camadas de gelo, esses satélites abrigam oceanos líquidos abaixo dessas superfícies, que acredita-se, não congelam pelo calor interno gerado pelo alongamento e compressão exercidos pelo campo gravitacional dos planetas que orbitam. Por isso, acredita-se que Europa e Enceladus podem ser luas habitáveis.

Apesar de protegido da luz do sol, existe um tipo de ecossistema terrestre que não depende da fotossíntese, as fontes hidrotermais, por onde o calor e as substâncias químicas escapam do interior da Terra para o fundo do oceano.

Ao redor dessas aberturas, algumas bactérias aproveitam a energia das reações químicas para prosperar. Essas bactérias acabam servindo de alimento para organismos maiores, criando uma cadeia alimentar que não necessita de luz do sol.

Como pode ser por lá?

Foi com isso em mente que uma equipe da Universidade de Concepción, no Chile, buscou modelar a possibilidade de algumas exoluas existirem em torno de exoplanetas gigantes gasosos solitários.

Segundo eles, uma quantidade significativa de água pode ser formada em uma exolua e retida na forma líquida em seu interior. Além disso, a radiação cósmica seria o principal condutor da cinemática para converter hidrogênio e dióxido de carbono em água.

Esse processo produziria 10 mil vezes menos água que os oceanos da Terra, mas 100 vezes mais do que a atmosfera. Segundo os pesquisadores, isso seria o suficiente para a existência de vida.

“A presença de água na superfície da exolua, afetada pela capacidade da atmosfera de manter a temperatura acima do ponto de fusão, pode favorecer o desenvolvimento da química prebiótica”, declarou o astrônomo e líder da equipe de pesquisa, Patricio Javier Ávila, ao Science Alert.

Leia mais:

“Nessas condições, se os parâmetros orbitais são estáveis ​​para garantir um aquecimento constante das marés, uma vez formada a água, ela permanece líquida ao longo de toda a evolução do sistema, proporcionando, portanto, condições favoráveis ​​para o surgimento da vida, completou o astrônomo.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!