Autoridades do condado de Camden, no sudeste da costa da Geórgia, deram um grande passo para obter a aprovação federal para um projeto criado para “injetar combustível de foguete” na economia local. Foram nove anos de planejamento e cerca de US$ 10 milhões investidos pelos contribuintes para construir e operar ali a 13ª plataforma comercial dos EUA licenciada para o lançamento de foguetes para colocar satélites em órbita.

Nesta quinta-feira (17), a Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) divulgou seu estudo final sobre os impactos ambientais do Spaceport Camden (Espaçoporto de Camden).

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Segundo a agência, é melhor construir o espaçoporto em vez de desmantelar o projeto. Isso abre caminho para uma decisão final, em julho, sobre sua licença para operar um local de lançamento.

Esboço fornecido pela Spaceport Camden mostra uma representação inicial da área do proposto espaçoporto no condado de Camden, Geórgia. Crédito: Spaceport Camden

Todavia, de acordo com o site Phys.org, mesmo se aprovado não há garantia de que o projeto vai disparar seu primeiro foguete tão cedo. Apesar do aumento da demanda por lançamentos comerciais na última década, mais da metade dos espaçoportos licenciados dos EUA nunca realizaram um lançamento.

Mas, para Steve Howard, administrador do governo do condado de Camden, de qualquer modo, a comunidade de 55 mil pessoas está aproveitando uma “oportunidade única em uma geração”, não apenas para se juntar à corrida espacial comercial, mas para atrair indústrias de apoio e turistas.

“Para nós, nunca foi sobre os foguetes. É sobre todo o resto”, disse Howard. “Os foguetes e o espaçoporto são um catalisador. O que queremos é tudo ao seu redor: desenvolvimento, manufatura, processamento de carga útil, programas STEM (acrônimo formado pelas iniciais das palavras ciência, tecnologia, engenharia e matemática, em inglês) e turismo”, explicou. 

Se a FAA conceder licença ao Spaceport Camden, o condado planeja comprar 1,6 mil hectares de um território perto da costa que, durante a década de 1960, foi usado para fabricar e testar motores de foguetes para a NASA.

Assim, o condado de Camden se juntaria a um total de 19 locais nos EUA disponíveis para o lançamento comercial de foguetes. Cinco estão em terras do governo dos EUA, como o Cabo Canaveral, na Flórida, e dois são locais privados no Texas, construídos para uso exclusivo de seus proprietários, SpaceX e Blue Origin.

FAA emitiu um estudo final de impacto ambiental na quinta-feira (17), e uma decisão sobre sua licença é esperada para o próximo mês. Crédito: Spaceport Camden

O condado de Camden se juntaria à dúzia restante, que são basicamente plataformas de lançamento disponíveis para locação por empresas com seus próprios foguetes. De acordo com a FAA, sete desses locais – na Flórida, Texas, Colorado e Oklahoma – nunca fizeram um lançamento.

Críticos afirmam que local não é seguro para lançamentos de foguetes

Oponentes do Spaceport Camden afirmam que ele não estaria em um local seguro. Seu caminho de lançamento, segundo os críticos, poderia enviar foguetes sobre duas ilhas barreira da Geórgia, Cumberland Island e Little Cumberland Island, que ficam a cerca de 8 km a leste.

Proprietários de terras privadas têm mais de 40 casas espalhadas por Little Cumberland, embora poucos vivam lá permanentemente. E a Cumberland Island é uma região selvagem, protegida pelo governo federal, conhecida por seus cavalos selvagens e tartarugas marinhas. A região atrai cerca de 60 mil visitantes e campistas anualmente.

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Junto aos donos de terras, o Serviço de Parques Nacionais, que administra a Ilha Cumberland, diz temer que acidentes no lançamento possam fazer os foguetes explodir e chover destroços em chamas.

Segundo Stan Austin, diretor regional do Serviço de Parques em Atlanta, o plano do espaçoporto trazia “um risco significativo” para a Ilha de Cumberland. Isso foi reportado à FAA em 10 de dezembro do ano passado.

Em 2019, Wayne Monteith, administrador associado da FAA para transporte espacial comercial, citou o quão perto o local de lançamento fica das duas ilhas. Em seu memorando à agência, ele afirmava: “Este é o sobrevoo de região povoada mais próximo já proposto para uma licença de espaçoporto”.

Espaçoporto da Geórgia descarta planos de lançamento de foguetes de médio e grande porte

Diante das reclamações, o Spaceport Camden alterou seu pedido de licença no ano passado, descartando os planos de disparar foguetes de médio a grande porte. Em vez disso, os lançamentos seriam limitados a foguetes pequenos, com carga útil máxima de 4.400 libras (o equivalente a 1.995 kg).

Isso não deixou os críticos satisfeitos. Eles dizem que esses pequenos foguetes ainda apresentam um risco de falha de até 20%, citando dados do pedido de registro do Spaceport Camden.

“Nossa maior preocupação é o incêndio”, disse Kevin Lang, advogado de Atenas que possui um chalé na Ilha Little Cumberland. “Se tivéssemos um incêndio de vários pontos na Ilha Little Cumberland, é muito improvável que pudesse ser apagado antes que destruísse cabanas e o ambiente natural, e possivelmente mataria ou feriria os habitantes”, acredita.

Marinha dos EUA questiona riscos à Base Naval de Submarinos de Kings Bay

Além dos donos de propriedades privadas e do Serviço de Parques Nacionais, a Marinha dos EUA também é outro pilar entre os resistentes ao espaçoporto. A instituição questionou se poderia haver riscos para a Base Naval de Submarinos de Kings Bay, um porto para submarinos armados com mísseis nucleares a cerca de 10 milhas (16 km) ao sul do local.

John Hill, secretário-assistente de defesa da Política Espacial norte-americana, disse em uma carta no mês passado que os militares estão dispostos a permitir que o projeto avance, desde que certas condições sejam atendidas.

Em resposta, o administrador do condado disse que uma análise de risco para o Spaceport Camden determinou que a chance de morte ou ferimento de um foguete lançado no local varia de menos de um em 10 milhões a um em um bilhão. “Isso foi muito, muito estudado”, disse Howard. “Estamos confiantes de que não haverá impacto significativo”.

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