Nesta sexta-feira (25), o Laboratório de Propulsão à Jato da Nasa (JPL) divulgou, em seu canal no YouTube, um vídeo que mostra curiosidades interessantes sobre o dia 6 de abril, quando o rover Perseverance fez sua primeira selfie ao lado do Ingenuity, o helicóptero robótico que foi usado em primeira mão pela agência espacial norte-americana para testar a tecnologia para exploração de locais de interesse em Marte.

No vídeo, Vandi Verma, engenheira-chefe da Perseverance para operações robóticas no JPL, no sul da Califórnia, detalha todo o processo. Verma dirigiu os rovers Opportunity e Curiosity da agência e ajudou a criar a primeira selfie do Curiosity, tirada em 31 de outubro de 2012. Mas não imaginava que estaria lançando uma tradição: “quando tiramos a primeira selfie, não nos demos conta de que as imagens se tornariam tão icônicas e rotineiras”.

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O registro, feito pelas câmeras de navegação do Perseverance, mostra o braço robótico do rover girando e manobrando para tirar os 62 quadros que compõem a imagem. 

Também é possível ouvir o microfone de entrada, descida e pouso (EDL, Entry, Descent and Landing) do rover capturando o som dos motores do braço girando durante o processo. 

Vandi Verma - Nasa
Vandi Verma, engenheira-chefe da Perseverance para operações robóticas no Laboratório de Propulsão à Jato da Nasa. Imagem: Captura de tela YouTube

Registro das imagens do Perseverance envolve diversos profissionais

A selfie de Perseverance aconteceu graças a um grupo central de cerca de uma dúzia de pessoas, incluindo os “motoristas” do rover, engenheiros que realizaram testes no JPL e engenheiros de operações de câmera, que desenvolveram a sequência de comandos, processaram as imagens e as juntaram. Demorou cerca de uma semana para traçar todos os comandos individuais necessários.

Todos trabalharam no “horário de Marte” (um dia no Planeta Vermelho tem 37 minutos a mais do que na Terra), o que significa estar acordado no meio da noite e recuperar o sono durante o dia. Esses membros da equipe, às vezes, perdiam o sono apenas para garantir a selfie.

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O JPL trabalhou com a Malin Space Science Systems (MSSS) em San Diego, que construiu e opera a câmera responsável pela selfie. Chamada WATSON (sigla em inglês para Sensor Topográfico de Grande Angular para Operações e Engenharia), a câmera é projetada principalmente para obter fotos detalhadas de texturas de rocha, não imagens de grande angular. 

Como cada imagem WATSON cobre apenas uma pequena parte de uma cena, os engenheiros tiveram que comandar o rover para tirar dezenas de imagens individuais para produzir a selfie.

“O que mais chamou a atenção foi colocar o Ingenuity no lugar certo na selfie”, disse Mike Ravine, gerente de projetos avançados da MSSS. “Dado o quão pequeno é, achei que fizemos um trabalho muito bom.”

Quando as imagens descem de Marte, os engenheiros de processamento de imagens iniciam seu trabalho. Eles começam limpando quaisquer manchas causadas pela poeira que se acomodou no detector de luz da câmera. 

Em seguida, montam os quadros de imagem individuais em um mosaico e suavizam suas costuras por meio de um software. Finalmente, um engenheiro deforma e recorta o mosaico para que se pareça mais com uma foto de câmera normal que o público está acostumado a ver.

Simulações de Computador

Assim como o rover Curiosity, o Perseverance tem uma torre giratória no final de seu braço robótico. Junto com outros instrumentos científicos, a torre inclui a câmera WATSON, que permanece focada no rover enquanto é angulada para capturar uma parte da cena. O braço funciona como um bastão de selfie, ficando fora do quadro no produto final.

Enquanto a torre do Curiosity mede 22 polegadas (55 centímetros) de largura, a do Perseverance é muito maior, com 30 polegadas (75 centímetros) de largura. É como balançar algo do tamanho de uma roda de bicicleta apenas alguns centímetros à frente do mastro do Perseverance, a “cabeça” do veículo espacial.

Um software foi desenvolvido pelo JPL para garantir que o braço não colida com o veículo espacial. Cada vez que uma colisão é detectada em simulações na Terra, a equipe de engenharia ajusta a trajetória do braço via software, e o processo se repete dezenas de vezes para confirmar que o movimento é seguro. 

Segundo Verma, a sequência de comando final leva o braço robótico “o mais perto que poderíamos chegar do corpo do rover sem tocá-lo”.

Eles executam outras simulações para garantir que o helicóptero Ingenuity esteja posicionado apropriadamente na selfie final ou que o microfone possa capturar o som dos motores do braço robótico.

A importância do som das selfies

Junto com seu microfone de entrada, descida e pouso, o Perseverance carrega outro em seu instrumento SuperCam. 

Os microfones estão pela primeira vez na espaçonave, e o áudio promete ser uma nova ferramenta importante para os engenheiros espaciais nos próximos anos. 

Entre outras atribuições, ele pode fornecer detalhes importantes sobre o funcionamento das coisas. No passado, os engenheiros teriam que se contentar em ouvir um rover de teste na Terra.

“É como o seu carro: mesmo que você não seja mecânico, às vezes ouve um problema antes de perceber que algo está errado”, disse Verma.

Embora eles não tenham ouvido nada extraordinário até agora, o zumbido dos motores soa surpreendentemente musical ao reverberar pelo chassi do veículo espacial.

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