De acordo com uma análise conduzida pelo microbiologista John Hallsworth, da Queen’s University Belfast, a falta de água nas nuvens da atmosfera de Vênus impede a existência de vida naquele planeta – ou, pelo menos, da vida como a conhecemos. 

Atmosfera “seca” de Vênus não possibilita habitabilidade conforme o conceito de vida que conhecemos. Imagem: Limbitech -Shutterstock

No fim de 2020, a questão da habitabilidade potencial de Vênus entrou em foco, depois da detecção de fosfina na atmosfera do planeta, que alguns cientistas sugeriram ser evidência de uma espécie de bioassinatura.

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Paralelamente a isso, a Nasa está enviando, após décadas, duas novas missões para investigar Vênus, o que pode nos dar nosso melhor entendimento sobre se o planeta pode ou não ter sido ou ser habitável.

Mas, segundo Hallsworth, isso não é muito provável. Calculando as medições da atividade da água – um parâmetro termodinâmico que é efetivamente equivalente à umidade relativa do ar em considerações atmosféricas – sua equipe identificou que a atmosfera de Vênus é muito seca para que organismos semelhantes à Terra sobrevivam.

“A atividade da água (que vai de zero – o mínimo – a um – semelhante a 100% de umidade) atua como um determinante potente da funcionalidade das células microbianas, portanto também é um determinante chave da habitabilidade”, diz o estudo.

Até onde sabem os cientistas, as funções biológicas nos organismos deixam de funcionar abaixo de um nível de atividade de água de 0,585. A resistente espécie de fungo xerófilo Aspergillus penicillioides atinge o limite mais baixo conhecido.

Atmosfera de Vênus é 100 vezes mais seca que o limite para possibilitar vida

Infelizmente, as nuvens secas de Vênus – compostas principalmente por gotículas de ácido sulfúrico – nem chegam perto de 0,585 em termos de atividade de água, ficando em torno de 0,004, de acordo com o que sugerem os pesquisadores.

Portanto, a atmosfera de Vênus é mais de 100 vezes mais seca do que esse limite de vida hipotético, ou, nas palavras dos cientistas responsáveis pela pesquisa, “duas ordens de magnitude abaixo do limite de 0,585 para extremófilos conhecidos”.

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Ao levar em conta a mesma medida, a atmosfera de Marte também pode ser considerada muito seca para sustentar a vida conforme compreendemos, embora seu nível de atividade de água de ≤ 0,537 esteja apenas um pouco abaixo da faixa habitável, em comparação com Vênus.

Já as nuvens de Júpiter mostram níveis biologicamente permissivos de atividade de água, mas apenas entre temperaturas de -10 ° C a 40 ° C. Entretanto, os pesquisadores observam que esta é apenas uma primeira etapa na avaliação da habitabilidade das nuvens, como outras componentes químicas nas nuvens também podem afetá-lo.

Via: Science Alert

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