Em razão de uma disputa judicial entre Amazon e Microsoft, o Pentágono anunciou nesta terça-feira (6) o cancelamento do contrato de computação de US$ 10 bilhões conhecido como Joint Enterprise Defense Infrastructure (JEDI).

A licitação tinha sido vencida pela Microsoft, que ficaria responsável pela migração da infraestrutura de computação e dados do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD) para a nuvem.

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A decisão foi vista pelo mercado como um ponto positivo para a Amazon, que poderá participar de um novo contrato. Isso porque as ações da Microsoft caíram cerca de 0,4% depois da notícia, enquanto as da Amazon subiram 3,5%, atingindo o maior patamar das últimas 52 semanas. 

Entenda o entrave

A prolongada batalha na Justiça fez as autoridades norte-americanas mudarem os rumos do contrato para execução de serviços. Segundo comunicado enviado à imprensa, o JEDI Cloud não atende mais às suas necessidades, apesar da existência de lacunas de capacidade de nuvem que ainda não foram atendidas para serviços comerciais.   

A decisão finaliza o longo processo de licitação e uma verdadeira saga nos tribunais que se arrasta por vários anos no que era visto como um dos maiores contratos de TI da história dos Estados Unidos, vencido pela Microsoft em outubro de 2019, quando desbancou concorrentes como IBM e Oracle. 

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Mas, como a Amazon Web Service (AWS) era vista como a pioneira do JEDI, houve várias reclamações sobre o formato da licitação, gerando protestos, inclusive contra o então presidente Donald Trump. O caso foi parar na Justiça e até agora estava indefinido. 

Na época, a Amazon alegou que o contrato concedido à Microsoft precisava ser invalidado, pois era baseado em parcialidade, má-fé e influência indevida de Trump.

Novo contrato deve abrir espaço para Amazon e mais empresas 

De acordo com o diretor interino de informações do Departamento de Defesa dos EUA, John Sherman, o cenário agora é outro.

computação em nuvem
Pentágono deve abrir novo contrato de cloud, dando à Amazon, entre outras, a possibilidade de ser a nova responsável. Imagem: ESB Professional / Shutterstock

“O JEDI foi desenvolvido em um momento em que as necessidades do Departamento eram diferentes e, tanto a tecnologia de CSPs quanto nossa conversação em nuvem, eram menos maduras. À luz de novas iniciativas como JADC2, IA e Aceleração de Dados (ADA), a evolução do ecossistema de nuvem dentro do DoD e mudanças nos requisitos do usuário para alavancar vários ambientes de nuvem para executar a missão, nosso cenário avançou e um novo caminho será seguido”, informou. 

A expectativa agora é que um novo contrato aconteça, com grandes possibilidades da Amazon sair vencedora no que já está sendo conhecido como Joint Warfighter Cloud Capability (JWCC). 

Trata-se de um contrato de Quantidade Indefinida de Entrega Indefinida (IDIQ) de várias nuvens e inúmeros fornecedores, abrindo espaço para mais prestadores do serviço, como a própria Microsoft e a AWS. 

Inicialmente, o JEDI tinha objetivo de consolidar as capacidades de computação do Pentágono, os sistemas de análises de dados, destinando tecnologia de ponta no que diz respeito à Inteligência Artificial, com foco na segurança das informações sigilosas. 

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