Esperança de medalha nas Olimpíadas de Tóquio e maior nome da história do levantamento de peso no Brasil, Fernando Reis Saraiva está suspenso provisoriamente por doping. Esse não é o primeiro nem será o último caso de um atleta pego no exame. Mas, como e por que acontece o uso de substâncias consideradas proibidas para consumo no esporte?

Para estarem fisicamente bem, por uma apresentação perfeita ou para se classificarem em competições de alto nível, atletas arriscam suas carreiras praticando doping. Imagem: Valerii Evlakhov – Shutterstock

A pressão sobre os atletas competitivos é cada vez maior. Eles precisam se apresentar bem o suficiente para permanecer no time ou se qualificar para competições de alto nível. Por essa razão, muitos acabam apelando para o uso de substâncias proibidas, que prometem resolver problemas de lesões e mau condicionamento físico. 

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Há algum tempo, a psicóloga do esporte e professora Anne-Marie Elbe, da Universidade de Leipzig, na Alemanha, conduz com seu grupo de trabalho o projeto No2Doping. Por meio desse projeto, os pesquisadores buscam maneiras inovadoras de desencorajar jovens atletas profissionais de fazer uso de substâncias ilícitas.

“O risco do doping está sempre presente, principalmente em esportes como ciclismo, atletismo ou levantamento de peso, onde a força e a resistência são importantes”, disse a especialista, ressaltando que agora, pouco antes dos Jogos Olímpicos no Japão, a situação é particularmente difícil para os atletas de ponta: devido à pandemia, muitos deles não puderam treinar como planejado porque as instalações esportivas foram fechadas, com muitas competições e treinamentos campos cancelados completamente. 

Risco do doping é constante, especialmente em esportes que requerem força e a resistência. Imagem: ADragan – Shutterstock

Além disso, quase não havia controles de doping durante o bloqueio – um fator do qual alguns atletas podem muito bem ter se aproveitado, suspeita a professora Elbe.

Aliança profana entre doping e esportes de elite

De acordo com o site Medical Xpress, na maioria dos casos, os atletas apanhados por doping são aqueles que, por razões financeiras, não têm acesso às tecnologias mais recentes. 

Mas, há aqueles que podem se dar ao luxo de, às vezes, explorar essas tecnologias para usar substâncias que ainda não estão na lista de proibidas e que não podem ser comprovadas por nenhum teste. “O diagnóstico sempre fica para trás nesses casos. É uma corrida contra o tempo”, explica a cientista esportiva. 

Qualquer um que for realmente pego corre o risco de um fim abrupto de sua carreira esportiva devido a longas proibições, multas altas e perda de acordos de patrocínio. No entanto, o doping e o esporte – especialmente o esporte de elite – são uma aliança onipresente e profana.

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Projeto alemão ensina valores morais contra prática de doping

No projeto No2Doping, Elbe e seus colegas trabalham para ensinar e fortalecer certos valores morais entre jovens atletas e desencorajá-los a se envolverem com doping. “Queremos equipá-los com as ferramentas para lidar com a questão do doping. Por exemplo, discutimos situações específicas em que o doping pode ter um papel. Essa é uma abordagem altamente inovadora”, disse Elbe. 

Projetos anteriores sobre o problema se limitaram, principalmente, a transmitir conhecimentos sobre os perigos do doping, por exemplo, mas isso não impediu muitos atletas de tomarem substâncias proibidas.

Os jovens atletas de toda a Alemanha, com idades entre 13 e 18 anos, estão atualmente realizando sessões de treinamento online em dois grupos, devido à pandemia: um está trabalhando com a nova abordagem No2Doping, e o outro de acordo com métodos anteriores de prevenção de doping mais baseados em conhecimento. 

Elbe espera que sua nova abordagem seja, no final das contas, a mais promissora. Se for o caso, pretende-se disponibilizar os resultados da investigação a clubes desportivos, associações e escolas. A Agência Nacional Antidopagem da Alemanha, com a qual os pesquisadores da Universidade de Leipzig estão colaborando, está interessada em aplicar a abordagem inovadora de prevenção ao doping em seu trabalho no futuro. O projeto está sendo financiado pelo Instituto Federal de Ciências do Esporte, até abril de 2022.

Comitê Olímpico Brasileiro tem página dedicada às normas antidoping

Na página oficial do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) existe uma seção totalmente dedicada ao assunto, que informa a lista de substâncias proibidas, fornece o código mundial do doping, para conhecimento, além de exibir vídeos e outros materiais educativos sobre o tema.

“O papel do Comitê Olímpico do Brasil em relação ao doping é o de orientar e educar os atletas para prevenir essa ameaça”, diz o site. 

Em outubro de 2018, a entidade implementou a área de Educação e Prevenção ao Doping, liderada pelo gerente Christian Trajano, médico e ex-diretor técnico da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD). 

Com a elaboração e aplicação do Programa de Educação e Prevenção ao Doping no esporte olímpico brasileiro, o COB apoia as ações da Agência Mundial Antidoping (WADA) e da ABCD.

Entre os propósitos da área está a integração das ações de educação e prevenção de doping aos cursos de formação de treinadores do Instituto Olímpico Brasileiro, o braço de educação do COB, bem como ao Transforma, programa de promoção dos Valores Olímpicos do COB, para fazer a educação antidoping chegar às gerações mais jovens. 

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