Reações alérgicas são muito comuns, o processo acontece quando o sistema imunológico decide reagir a um agente ou substância estranha ao corpo na tentativa de expeli-lo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), alergias do tipo respiratórias acometem até 30% da população brasileira, sendo 25% por rinite alérgica e 20% por asma, mais vista em crianças e adolescentes.

“A alergia é quando nosso sistema imunológico reage de forma muito exagerada a alguma substância que entrou em contato com o nosso corpo, seja por via aérea, por contato na pele ou por ingestão de alimentos. Com o crescimento e desenvolvimento, algumas alergias tendem a ficar mais leves e até desaparecem”, explica a pediatra especialista em Pediatria e Alergia, Felícia Szeles, em entrevista ao site Agora MT.

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Mas como identificar alergias em crianças e bebês que ainda não falam? Uma das queixas mais comuns de pais com filhos pequenos é relacionada as alergias.  Embora o caso possa ocorrer em qualquer faixa etária, o período infantil é o mais suscetível às reações, já que é quando o sistema imunológico ainda está se formando.

Segundo a pediatra, a pré-disposição genética é um dos principais fatores ao qual os pais devem se atentar. Se um dos pais possuir alergias, a possibilidade das crianças também ter é de 40%, se ambos sofrerem com reações alérgicas, a taxa dobra, indo para 80% de chances de a criança desenvolver as mesmas ou outras alergias.

“Além disso, outros fatores influenciam, como a vida em grandes centros onde os ambientes são fechados, pouco ventilados e arejados, propiciando o acúmulo de ácaros. Pensando em alergia alimentar, cesarianas, falta de aleitamento materno, e até mesmo a falta de irmãos podem influenciar”, acrescenta a médica.

Conheça quatro tipos mais comuns de alergias em crianças e como se manifestam. Imagem: FotoDuets/iStock
Conheça quatro tipos mais comuns de alergias em crianças e como se manifestam. Imagem: FotoDuets/iStock

Existem diversos tipos de alergias que podem acometer crianças, no entanto, a médica afirma que quatro tipos mais comuns merecem destaque e atenção dos pais nesse período de maior suscetibilidade. São elas; alergia respiratória, alimentar, a insetos e de pele.

A alergia respiratória está entre as mais comuns, sendo a asma e rinite as líderes da categoria – mesmo em adultos. A primeira causa falta de ar, tosse e chiado no peito. Enquanto a segunda gera crise de espirros, tosse às vezes, coceira no nariz, olhos e garganta, coriza e obstrução nasal – famoso nariz entupido.

Esse tipo de alergia costuma se manifestar mais em pessoas que moram em cidades grandes, devido ao desequilíbrio entre pouca arborização e muita poluição.

A alergia alimentar é uma resposta exagerada do organismo a algumas proteínas de alimentos, como leite, castanhas, ovo, soja, trigo, peixes, amendoim e frutos do mar. Dentre os sintomas mais comuns para esse tipo de reação alérgica estão vômitos, diarreia, sangue nas fezes, coceira, manchas vermelhas na pele e até anafilaxias, que inclui dificuldade respiratória, inchaço facial e hemorragia. A reação é considerada grave e fatal, se não tratada imediatamente.

Alergia a insetos geralmente ocorre após picadas, o corpo reage com vermelhidão, coceira e edemas. Dependendo do inseto e da intensidade da alergia, também pode ocorrer anafilaxia, tornando o caso mais grave. Abelhas, formigas e vespas, são as principais causadoras das reações.

A alergia de pele, também conhecida como dermatite atópica, é um processo inflamatório da pele que pode aparecer e desaparecer entre períodos. Ela causa coceira e ressecamento da pele no rosto, pescoço, cotovelos, parte de trás dos joelhos, bem como em qualquer membro inferior ou superior. O motivo principal para o desencadeamento da alergia nem sempre é identificado, indo desde o toque da água, ao contato com material de uma fralda ou produto de banho.

Esse tipo de alergia é comumente relacionado também as alergias emocionais em adultos, que são causadas por alto nível de estresse e ansiedade.

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Em todos os casos é possível obter êxito no tratamento e o acompanhamento com um pediatra é indispensável, já que em alguns casos mais graves e intensos pode ser difícil conviver com a alergia, atrapalhando o sono e desempenho da criança.

“A alergia é uma doença crônica que, apesar de não ter cura, pode ser controlada parcial ou totalmente. Quanto mais precoce for o diagnóstico, mais chances de controle da doença”, afirmou Szeles.

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