A SpaceX havia feito a promessa, ao final de julho, de melhorar a conexão da Starlink com lasers. Ontem (24), a COO e presidente da empresa fundada por Elon Musk, Gwynne Shotwell, confirmou estarem cumprindo esse compromisso — por isso, não houve novos lançamentos de satélites da plataforma de internet desde 30 de junho.

“Estamos lançando uma série de terminais a laser para o espaço agora mesmo”, disse Shotwell. “É nisso que temos nos concentrado nas últimas seis a oito semanas — nós queríamos que a próxima leva [de satélites] já tivesse terminais a laser nela”.

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Imagem mostra um satélite da SpaceX que recebeu terminais de lasers para a Starlink
Satélites da SpaceX passarão a contar com terminais a laser para melhorar a comunicação e transferência de dados com as estações na Terra. Imagem: AleksandrMorrisovic/Shutterstock

A Starlink é a plataforma de internet via satélite da SpaceX, alavancada por uma constelação de quase dois mil satélites posicionados pela empresa na baixa órbita da Terra. Atualmente, o serviço está disponível em beta público em 11 países (EUA, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Nova Zelândia, Austrália, França, Áustria, Holanda, Bélgica e Dinamarca); testes fechados em dois (Irlanda e Chile); e finalmente, em fase de planejamento para o México em outubro de 2021.

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Basicamente, os terminais a laser permitem que os satélites tenham uma melhor comunicação entre si e com as estações de transferência de dados situadas na Terra. Mas seu principal benefício é a economia de custos sem perda de qualidade do serviço.

Isso porque, para cada leva de satélites da Starlink lançados ao espaço, a SpaceX tem que construir ao menos uma estação de transferência de dados na Terra. O problema é que nem todo terreno favorece essa construção, então os terminais a laser em tese vão permitir que mais satélites possam “conversar” com as mesmas estações.

As afirmações de Shotwell foram feitas durante a edição atual do Simpósio Espacial. A COO aproveitou para avisar que essa “parada” nos lançamentos não deve durar muito: segundo ela, a SpaceX planeja levar uma nova leva de satélites daqui a três semanas a bordo de um foguete Falcon 9, mas sem se comprometer com uma data específica ou informar quantos satélites vão à órbita dessa vez.

Outro ponto tocado por ela foi o risco de colisão entre satélites: hoje, são pouco mais de 1,6 mil satélites ativos (mais de 1,7 mil lançados) no espaço, pertencentes à empresa. Entretanto, a documentação preenchida por ela junto às autoridades governamentais fala em “constelação de 45 mil satélites”.

Segundo um levantamento do Grupo de Pesquisas Astronáuticas, os satélites da Starlink estão envolvidos em 1,6 mil eventos de quase colisão por semana, seja entre satélites dela própria ou de outras empresas, como Amazon ou OneWeb.

Shotwell disse que a SpaceX está sempre dedicando recursos e pensando “ininterruptamente” sobre novos métodos de segurança para evitar choques do tipo, ressaltando as capacidades de detecção autônoma de colisão e correção automática de curso de seus produtos.

“A pior coisa do mundo seria uma colisão dessas”, ela disse.

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