Uma vacina em spray contra a Covid-19 está sendo desenvolvida por pesquisadores brasileiros. É um projeto da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), da Universidade de São Paulo (USP) e com do Instituto do Coração (Incor). Além disso,há também a participação de pesquisadores do Instituto Butantan. O fármaco está em fase inicial de testes, em camundongos, e já apresentou indicadores positivos.

“Temos resultados preliminares que mostram que a vacina consegue induzir resposta de anticorpos neutralizantes e também de células T”, explicou Daniela Santoro Rosa, professora de imunologia e chefe do laboratório de vacinas experimentais da Unifesp.

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Por ser um spray nasal, o planejado é que a vacina já produza anticorpos por uma das vias de entrada do vírus: as mucosas do nariz. Outro aspecto incomum do fármaco, em comparação aos outros usados no Brasil, é sua plataforma de desenvolvimento.

A tecnologia usada consiste em utilizar pedaços da proteína S, de Spike, de diferentes cepas, as variantes, do coronavírus. Desse modo, a vacina teria potência contra diversas mutações. “A ideia é usar essa vacina como um reforço para as pessoas que já estão vacinadas. A gente espera que seja mesmo um spray nasal que faça esse reforço”, disse a pesquisadora.

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De acordo com Daniela Santoro, a plataforma da vacina é semelhante à usada para combater a Hepatite B. Sendo assim, a ideia dos pesquisadores da Unifesp era usar a mesma tecnologia para desenvolver um antígeno contra Zika e Chikungunya. Só que os especialistas mudaram a estratégia diante da emergência de saúde disparada pela Covid-19.

É esperado que o pedido de autorização de ensaios clínicos, como são chamados os estudos com voluntários, à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ocorra entre o fim de 2021 e começo de 2022. Neste primeiro momento, em um grupo reduzido, será avaliada a dosagem do imunizante e sua segurança em humanos.

Em Israel, outro spray nasal contra a Covid-19 começou a ser comercializado no mês de julho. O medicamento é fabricado pela empresa canandense SaNOtize e apresentou resultados de fase II. Com isso, a venda foi autorizada para as farmácias do país.

Fonte: O Globo