Um dos recursos mais importantes do WhatsApp é a privacidade, com a criptografia de ponta a ponta o mensageiro diz que ninguém pode ter acesso ao conteúdo de mensagens trocadas na plataforma, nem mesmo o Facebook, empresa dona do aplicativo. No entanto, uma investigação mostra que isso pode não estar acontecendo.

Segundo a ProPublica, o Facebook contrata funcionários em diversas partes do mundo para ler mensagens do WhatsApp e moderar seu conteúdo, que em tese estaria totalmente privado. “Mais de 1.000 trabalhadores contratados enchendo andares de prédios de escritórios em Austin, Texas, Dublin e Cingapura, onde examinam milhões de partes do conteúdo dos usuários”, diz um trecho do documento.

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Mark Zuckerberg, CEO do Facebook
Frederic Legrand – COMEO/Shutterstock

Facebook e WhatsApp

A investigação diz que esses contratados passam o dia lendo conteúdo denunciado por usuários ou sinalizados pelo próprio algoritmo da plataforma. O Facebook alega que os funcionários estão ali para lerem mensagens denunciadas por abuso e que nesses casos podem ter acesso “as mensagens mais recentes enviadas a você pelo usuário ou grupo denunciado no WhatsApp”.

O mensageiro também diz que a criptografia impede que as equipes tenham acesso a mensagens e ligações, mas que apenas no caso de denúncias eles conseguem ver o conteúdo. “O WhatsApp fornece uma maneira para as pessoas denunciarem spam ou abuso, o que inclui compartilhar as mensagens mais recentes em um bate-papo”, diz o comunicado.

“Esse recurso é importante para prevenir o pior abuso na Internet. Discordamos veementemente da noção de que aceitar relatórios que um usuário opta por nos enviar é incompatível com a criptografia de ponta a ponta”, completa.

Atualização após a publicação

Após a publicação, a ProPublica soltou uma nota no dia 8 de setembro explicando que o texto da investigação causou uma confusão sobre a maneira com que o Facebook analisa os dados: “Esclarecimento, 8 de setembro de 2021: Uma versão anterior desta publicação causou uma confusão não intencional sobre até que ponto o WhatsApp examina as mensagens de seus usuários e se isso quebra a criptografia que mantém as mensagens em segredo. Alteramos a linguagem da matéria para deixar claro que a empresa examina apenas mensagens de conversas que foram denunciadas pelos usuários como possivelmente abusivas. Isso não quebra a criptografia de ponta a ponta.”

“O WhatsApp enfatiza este ponto de forma tão consistente que um aviso com uma garantia semelhante aparece automaticamente na tela antes que os usuários enviem mensagens: “(A mensagens e as chamadas são protegidas com a criptografia de ponta a ponta e) ficam somente entre você e os participantes dessa conversa. Nem mesmo o WhatsApp pode ler ou ouvi-las.”

“Os trabalhadores têm acesso apenas a um subconjunto de mensagens de WhatsApp — aquelas sinalizadas pelos usuários e automaticamente encaminhadas à empresa como possivelmente abusivas. A revisão é um elemento de uma operação de monitoramento mais ampla na qual a empresa também revisa material que não é criptografado, incluindo dados sobre o remetente e sua conta.”

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