Vocês já notaram, nos últimos dias, um astro muito brilhante na direção do poente ao anoitecer? Este astro é o planeta Vênus, e até pouco tempo atrás, muita gente acreditava que ele poderia ser o próximo destino para nossas viagens espaciais tripuladas.

Jornal de 1969 mostrando depoimento do diretor da NASA, Thomas Paine, informando que o homem poderia visitar Marte Vênus na década de 80
Jornal de 1969 mostrando depoimento do diretor da NASA, Thomas Paine, informando que o homem poderia visitar Marte Vênus na década de 80. Fonte: Folha de São Paulo

Vênus é o segundo planeta do Sistema Solar e o mais próximo da Terra. Ele também é rochoso e tem um diâmetro parecido com o do nosso planeta. Mas as semelhanças com a Terra acabam por aí. Abaixo das densas nuvens de ácido sulfúrico, o que existe é algo que mais se parece com o inferno, ou com as tardes em Rondônia durante o período das queimadas.

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Acontece que só ficamos sabendo disso a partir dos anos 60, com o sucesso das missões não tripuladas ao planeta. Antes disso, imaginávamos que Vênus poderia abrigar rios, mares e, quem sabe, florestas e outras formas de vida.

A exploração espacial de Vênus teve início há 60 anos, em 1961, com a sonda soviética Venera 1, que infelizmente, falhou no meio do caminho. Os americanos também falharam em 1962 com o Mariner 1, mas tiveram sucesso com a Mariner 2, que, no mesmo ano, passou a 35 mil km de Vênus.

Réplica da Venera 1
Réplica da Venera 1. Fonte: Museu Nacional da Astronáutica

Os dados coletados pela sonda revelaram que a temperatura na superfície do planeta era extremamente quente, acima dos 420°C. Depois de 7 tentativas frustradas, os soviéticos conseguiram “pousar” a Venera 3 em 1966, embora sua comunicação com a Terra tenha sido perdida minutos antes.

Em 1967, a Venera 4, fez um pouso suave na superfície do planeta. Também perdeu a comunicação com a Terra, mas enviou importantes informações antes disso, mostrando que a temperatura e a pressão atmosférica em Vênus eram maiores do que se imaginava.

Vênus coberto por nuvens de ácido sulfúrico e sua superfície mapeada por radar
Vênus coberto por nuvens de ácido sulfúrico e sua superfície mapeada por radar. Fonte: NASA

Outras duas sondas Venera foram enviadas em 1969, mas, apesar de reforçadas, foram esmagadas pela enorme pressão atmosférica, ainda a 20 km acima do solo. Finalmente, em dezembro de 1970, a Venera 7 conseguiu pousar e transmitir dados de telemetria, a partir da superfície, por cerca de 23 minutos, antes de ser esmagada e cozida na panela de pressão venusiana.

Até 1983, outras 9 missões soviéticas foram enviadas para lá, 7 delas pousaram com sucesso no planeta, enviaram dados importantes e as primeiras imagens da superfície de Vênus. Nenhuma resistiu por muito tempo. A que mais durou foi a Venera 12, que sobreviveu por 110 minutos no inferno venusiano, onde as temperaturas atingem mais de 460°C e a pressão é equivalente a 90 atmosferas terrestres.

Primeiras imagens da superfície de Vênus feitas pela sonda Venera 13
Primeiras imagens da superfície de Vênus feitas pela sonda Venera 13. Fonte: Roscosmos

Certamente, isso frustrou os planos de férias interplanetárias de alguns humanos e afastou definitivamente a ideia de viagens tripuladas ao planeta. Mas não apagou totalmente a esperança de que o planeta pudesse abrigar alguma forma de vida.

Ainda nos anos 60, Carl Sagan sugeriu que uma forma de vida primitiva poderia se desenvolver no topo das nuvens venusianas, onde a temperatura e pressão são mais amenas. Essa esperança foi alimentada no ano passado, pelo anúncio da detecção de fosfina na atmosfera de Vênus, que teria uma provável origem biológica. Mas ao que tudo indica, o vulcanismo é a origem da fosfina encontrada por lá.

Mesmo com essa mania feia de cozinhar nossas espaçonaves, Vênus ainda merece ser mais estudado. Por isso, novas missões estão sendo planejadas, por NASA, ESA e ROSCOSMOS, ainda para essa década. Se tudo der certo, conheceremos um pouco mais sobre a atmosfera e a história do enigmático Planeta Vênus.

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