Uma mulher, do estado do Alabama, identificada como Teiranni Kidd, está processando um hospital em que deu à luz sua filha, Nicko Silar. Ela alega que o hospital sofreu um ataque hacker no momento em que ela estava em trabalho de parto, o que atrapalhou o desempenho dos médicos.

Se for comprovado, este pode ser o primeiro caso de um ataque de ransomware que resulta em uma morte. Em ataques desse tipo, em geral, os hackers “sequestram” a rede e exigem um pagamento, geralmente em criptomoedas, para devolvê-la.

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Grandes empresas já foram vítimas de ataques do tipo, como a gigante brasileira do setor alimentício, JBS. Porém, os efeitos podem ser fatais quando se trata de uma estrutura tão crítica quanto um hospital, em que, hoje, prontuários e monitores estão quase todos ligados em rede.

Possível negligência

Monitor de batimentos cardíacos
Queda da rede impediu que os médicos monitorassem os batimentos cardíacos de Nicko. Crédito: Mirkosajkov/Pixabay

No caso do ataque que pode ter resultado na morte de Nicko, ocorrido em 2019, hackers assumiram o controle da rede do Springhill Medical Center. O hospital, por sua vez, se negou a pagar o resgate e, sequer reconheceu que havia sido atacado. A decisão do centro médico foi de apenas desligar a rede.

Com isso, os médicos tiveram que trabalhar “à moda antiga”. Porém, com uma boa parte dos sistemas automatizados, os médicos tiveram bem mais dificuldade em trabalhar do que teriam há 10 ou 15 anos, principalmente os que se formaram há pouco tempo ou eram recém-chegados no hospital.

No parto de Teiranni Kidd, por exemplo, os médicos não conseguiram vigiar os sinais vitais de Nicko. Com isso, eles não perceberam que os batimentos cardíacos dela estavam muito acelerados. Isso pode ser um sinal de que a criança está com o cordão umbilical enrolado no pescoço.

Morte ocorreu depois

Nicko nasceu desmaiada e com graves danos cerebrais, nove meses depois, a bebê morreu. Desde então, Kidd enfrenta uma longa batalha judicial contra o hospital. Ela diz, inclusive, que teve acesso a mensagens de texto trocadas pelos médicos, que diziam que a morte poderia ter sido evitada.

Segundo ela, os profissionais disseram que se fosse possível checar os sinais de alerta, teriam optado por uma cesariana, e não pelo parto normal. Caso isso tivesse acontecido, a vida da bebê teria sido facilmente salva.

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Apesar de não haver outros casos com finais tão trágicos, o hacker que reivindica o ataque e diz fazer parte da gangue russa Ryuk, disse ao The Wall Street Journal que já fez ataques parecidos contra pelo menos 235 hospitais desde 2018.

Via: Futurism

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