Pros
  • Android 11 limpo de bloatware
  • Desempenho consistente
  • Câmeras tiram boas fotos (de dia)
  • Autonomia interessante
Contras
  • Cadê o Wi-Fi de 5 GHz?
  • Fotos noturnas tendem a sair ruins
  • Chegou mais caro que a concorrência

Aos poucos, mais e mais empresas chinesas vão chegando ao Brasil, entregando novos produtos em segmentos que vão desde os modelos mais caros e potentes, até os baratinhos. O Realme C21Y é um dos representantes do segundo grupo, figurando dentro da concorrida área dedicada aos intermediários mais simples e econômicos.

O celular tem corpo em plástico, tela de 6,5 polegadas, três câmeras na parte traseira, chega ao Brasil equipado com um processador Unisoc e oferece o Android 11 para os usuários. Será que toda essa sopa de letrinhas vale a pena? A Realme consegue bater diretamente nos reis deste segmento, como Samsung e Motorola? Eu te explico tudo isso nos próximos parágrafos.

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Design e tela

Começando pela parte externa, o Realme C21Y não tenta se aproximar do visual requintado de outros modelos da própria marca, como o Realme 8, mas ao mesmo tempo ele pega emprestado alguns pontos destes aparelhos. Um deles é o nome da empresa na traseira, junto do reflexo da luz reagindo de formas diferentes na tampa da bateria – que não é removível.

Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Traseira em plástico tem seu valor (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

Esse efeito acontece por conta da textura áspera, que também faz o plástico mais simples deste modelo não dar a impressão de material barato. Ainda por aqui fica o leitor de impressões digitais, que é bastante competente, mas eu senti falta de uma sensação tátil melhor para saber se meu dedo estava sobre ele ou não. Durante os primeiros dias de teste eu errei o local inúmeras vezes.

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Ainda na traseira ficam as três lentes para as câmeras, alto-falante e mais nada. Na frente temos a tela de 6,5 polegadas, com resolução HD+ (1600 x 720 pixels) e um notch em formato de gota. Nele a Realme colocou a câmera frontal de cinco megapixels. A borda do display é fina, mas o queixo é grande e esse nem chega a ser um problema, já que praticamente qualquer celular desse segmento tem isso. Então tá OK.

Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

As cores e detalhes exibidos na tela vão agradar a grande maioria dos usuários. Os ângulos de visão são generosos antes de alguma aberração cromática dar as caras. Já se foi o tempo onde smartphone de entrada tinha tela ruim. Agora até mesmo modelos bem baratos já fazem muito bem o trabalho de mostrar redes sociais, jogos, sites e tudo mais que roda no aparelho.

Se na tela o C21Y é bom, agrada quando comparado ao próprio segmento, no som a situação não é bem a mesma. O áudio sai por uma abertura na traseira e ele é agudo com vontade, deixando médios menos perceptíveis e graves literalmente não existem. O speaker utiliza um pontinho na saída de som para não ficar abafado quando o celular está em uma mesa, mas neste momento o som perde quase todo agudo e reforça os médios. Parece um rádio pequeno e antigo, daqueles que seu avô utiliza para escutar os jogos de futebol.

Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Falante tem pontinho para melhorar o som quando na mesa (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

O peso de 200 gramas é confortável em qualquer situação, o calombo para as câmeras traseiras não é dos maiores, mas me incomodou o detalhe em ângulo reto que acompanha toda a borda do C21Y. Eu imagino que isso seja escolha de design, mas passa a sensação de uma rebarba, que na verdade não existe.

Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Realme C21Y insiste em porta microUSB (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

Fechando essa parte externa temos um problemão chamado microUSB. Em pleno 2021 a Realme ainda coloca esse tipo de conexão em seus aparelhos. A concorrência já inseriu o USB-C nesse conector até mesmo nos modelos mais baratos que o C21Y. Que mancada Realme.

Hardware

Já por dentro, o C21Y tira proveito de um processador Unisoc T610 octa-core de até 1,8 GHz, com 4 GB para RAM e 64 GB de espaço interno. Este chip não é dos mais populares, mas já deu as caras nos Honor Play 5T e Play 20. Durante as semanas que passei utilizando o aparelho como meu único celular, não encontrei nenhum momento de travamento ou engasgo do sistema.

Redes sociais abrem como esperado para um intermediário mais simples, rolar a timeline não chega a ser um problema seja no Facebook, Twitter, Instagram, TikTok ou mesmo no YouTube, mas sempre me irrita a falta de suporte para redes Wi-Fi de 5 GHz. Em casa a banda de 2,4 GHz é bastante congestionada e isso faz qualquer download da Play Store levar um tempão para acabar.

A memória interna pode ser pequena para usuários dentro de muitos grupos do WhatsApp e com muitas fotos no aparelho, mas basta colocar um microSD na bandeja que não é híbrida, para o problema ser resolvido.

Em jogos a placa gráfica Mali-G52 fez o que eu esperava de um intermediário baratinho: rodou games leves e pesados sem problemas. Testei desde o mais simples Subway Surfers que foi executado com grande taxa de quadros por segundo, passando pelo frenético Free Fire com os gráficos no máximo permitido pelo jogo, indo até mesmo Asphalt 9.

Um detalhe me chamou atenção e ele é a temperatura do celular. Mesmo por longas partidas do battle royale, a parte traseira do C21Y ficou só morninha. Isso pode ser sinal de um chip menos potente e que esquenta menos, ou então de bom trabalho na hora do aparelho se livrar do calor. Quem sabe os dois ao mesmo tempo.

Software e bateria

De fábrica o Realme C21Y vem com Android 10, mas logo que recebi para os testes uma atualização já deu as caras e levou o celular para o Android 11, com mais updates entregando o patch de segurança de cinco de agosto. Um mês antes de escrever este review, então está ótimo!

Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Realme C21Y (Imagem: reprodução)

Se a Motorola já utiliza uma interface basicamente idêntica ao que o Google entrega para os Pixel, a Realme vai além e dá mais força no termo Android puro. Por aqui, até mesmo o widget de previsão do tempo dos aparelhos do Google está na tela inicial. Poucos apps chegam pré-instalados e uma mudança no visual só apareceu para mim em dois momentos.

O primeiro está na área exibida quando você vai desligar ou reiniciar o celular, enquanto a outro fica num atalho para tirar screenshots que eu odiei. Ele fica quase colado com o botão para fechar todos os apps abertos e eu juro que cheguei a colecionar capturas acidentais de tela. De resto, a tradução do sistema operacional tem raríssimos erros e a experiência geral é positiva.

Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Realme C21Y (Imagem: reprodução)

A bateria é de 5.000 mAh e dá para chegar ao segundo dia de uso, se você não ficar jogando o tempo todo. Nos meus testes, eu coloquei um vídeo longo no YouTube, com resolução Full HD e o brilho no máximo, para registrar descarga de aproximadamente 7,5 por cento por hora. Boa marca.

Câmeras

Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

No geral as fotos do Realme C21Y são muito boas para um intermediário simples. A câmera principal tem 13 megapixels e abertura de f/2,2. As cores são bem representadas em saturação levemente mais forte, o que é bom, e eu não encontrei nenhum problema na nitidez.

Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera principal do Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

Foto com a câmera principal do Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera principal do Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

Esse cenário diz respeito apenas aos momentos com bastante luz, já que de noite o aparelho sofre bastante para mostrar o ambiente. O granulado aparece com vontade e algumas cores se perdem. Tem até mesmo um modo noturno que faz o obturador registrar a foto por quatro segundos. É bom segurar a respiração nesse momento.

Foto com a câmera principal do Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera principal do Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

Foto com a câmera principal do Realme C21Y no modo noite (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera principal do Realme C21Y no modo noite (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

O resultado das fotos neste modo é um misto de sensações. Em parte dos testes eu tive problemas para ter a foto com foco, em outras esse problema não existiu, mas pontos claros ficaram estourados demais. O granulado também ficou mais evidente, por mais que áreas escuras tenham aparecido dessa vez.

Foto com a câmera principal do Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera principal do Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

Foto com a câmera principal do Realme C21Y no modo noite (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera principal do Realme C21Y no modo noite (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

O Realme C21Y tem uma lente para macro com pífios dois megapixels. Ela está lá só para marcar presença mesmo. O resultado das fotos é muito ruim, com problemas de brilho, saturação e definição.

Foto com a câmera macro do Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera macro do Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

As selfies são de cinco megapixels e só ficam boas quando há muita luz. Mesmo dentro do metrô, com lâmpada para todo lado, o granulado ficou visível. No final das contas essas fotos ficam boas apenas pras redes sociais mesmo.

Foto com a câmera frontal do Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera frontal do Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

Foto com a câmera frontal do Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Foto com a câmera frontal do Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

Realme C21Y: Vale a pena?

Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)
Realme C21Y (Imagem: André Fogaça/Olhar Digital)

Olha, quando eu escrevi esse review, a Realme ainda não tinha liberado o preço do C21Y pro Brasil. Sendo um intermediário de baixo custo e olhando pra concorrência, dá pra recomendar esse celular se ele custar até no máximo R$ 1 mil.

Acima desse preço você já encontra o Moto G20 no varejo e ele tem câmeras melhores, oferece Wi-Fi de 5 GHz, abandona o microUSB em favor do USB-C, tem uma versão mais avançada do mesmo processador e a tela faz mais hertz, além de proteção contra respingos no display.

Não me leve a mal. O Realme C21Y é competente no desempenho, tem autonomia interessante pra maior parte dos usuários, faz boas fotos quando a luz colabora e utiliza tela de ótima qualidade. O problema está justamente nesse segmento, que tem muita gente fazendo basicamente a mesma coisa e um é um tiquim melhor que o outro.

É por isso que eu repito: o Realme C21Y só vale a pena se ele custar menos que o Moto G20, ou menos que o Galaxy A22.

Nossa Avaliação
  • Desempenho
    8.0
  • Design
    7.0
  • Câmeras
    7.0
  • Bateria
    9.0
  • Sistema/Interface
    9.0
  • Tela
    8.0
  • Conectividade
    5.0
  • Resistência
    9.0
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Realme C21Y: ficha técnica

Tela: IPS LCD de 6,5 polegadas
HD+ (1600 x 720 pixels)
Brilho de 400 nits
Processador: Unisoc T610
Octa-core com até 1,8 GHz
12 nanômetros
GPU: Mali-G52
RAM: 4 GB
Armazenamento: 64 GB
Câmeras traseiras: wide: 13 MP (f/2,2)
profundidade: 2 MP (f/2,4)
macro: 2 MP (f/2,4)
Vídeo: 1080p até 30 fps
Câmera frontal: wide: 5 MP (f/2,2)
Sistema Operacional: Android 11 (sob a Realme UI)
Conexões: Wi-Fi de 2,4 GHz
Bluetooth 5.0 (A2DP, LE
MicroUSB 2.0
GPS (A-GPS, GLONASS, BDS)
NFC
Bateria: 5.000 mAh
Dimensões: 164,5 x 76 x 9,1 mm
Peso: 200 gramas
Outros: Leitor de impressões digitais

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