Um estudo publicado nesta quarta-feira (20), no periódico científico Nature, desvenda o mistério secular de onde e quando começou o processo que levou à domesticação dos cavalos. 

De acordo com a pesquisa, feita por uma equipe internacional de cientistas liderada por Ludovic Orlando, do Centro de Antropologia e Genômica em Toulouse, os humanos domesticaram os cavalos há cerca de 4,2 mil anos, na região norte do Cáucaso, onde hoje é o sudoeste da Rússia. 

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Dois genes específicos influenciaram duas características chave dos cavalos domésticos de hoje: a docilidade e as costas fortes. Imagem: Yoannes Surya – Shutterstock

Domar cavalos selvagens modificou a forma de locomoção dos humanos, bem como a maneira com que lutavam, se comunicavam e negociavam. Segundo o site Phys, isso levou à substituição de todas as populações selvagens existentes – da Europa Ocidental à Mongólia – em um período de cerca de cinco séculos.

Cavalos domesticados têm genes específicos

Para identificar o início desse processo, os cientistas sequenciaram o DNA dos restos mortais de quase 300 cavalos antigos de toda a Europa. Com isso, foram descobertos um gene e uma região genômica que podem ter influenciado duas características chave dos cavalos de hoje: a docilidade e as costas fortes.

Até recentemente, a evidência mais promissora apontava para origens de cavalos domésticos no norte do Cazaquistão, onde arqueólogos desenterraram cerâmicas com vestígios de leite de égua, fezes em currais e enormes quantidades de ossos e dentes velhos de cavalos que pareciam mostrar o uso de arreios.

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“Isso nos fez razoavelmente concluir que foi onde a domesticação aconteceu”, disse Orlando. “Começamos nossa pesquisa lá sequenciando os genomas desse cavalo, esperando que eles fossem os ancestrais diretos dos cavalos domésticos”, disse ele.

No entanto, eles acabaram descartando o assentamento como evidência de uma tentativa fracassada de domesticação, com os restos mortais ligados a uma espécie que já se tornou praticamente extinta. “Tivemos que adotar outra abordagem”, disse Orlando.

Pesquisa envolveu mais de 150 cientistas

Em vez de procurar evidências de domesticação em um determinado local, Orlando disse que sua equipe decidiu sequenciá-los “da Península Ibérica à Sibéria“.

Com uma equipe de mais de 150 cientistas, eles analisaram amostras que datam de 2 mil a 50 mil anos atrás, a fim de incluir todas as linhagens conhecidas naquele período. Para isso, eles usaram tecnologia de sequenciamento de ponta e passaram anos caçando semelhanças entre o DNA antigo e os cavalos modernos.

Finalmente, cerca de um ano atrás, a maior evidência surgiu no sudoeste da Rússia, concentrada em uma área de cerca de 500 km de largura. “Foi muito, muito claro: o número de diferenças genéticas encontradas fora da região era muito, muito maior do que dentro”, disse Orlando.

Depois de localizar o genoma de interesse, eles usaram a datação por radiocarbono para descobrir quando esses cavalos vagavam, dentro de um ou dois séculos.

O estudo diz que a preferência humana por cavalos com esses genes (da força nas costas e da docilidade) “sugere o uso de cavalos que são mais dóceis, mais resistentes ao estresse e envolvidos em corrida de resistência, sustentação de peso e/ou guerra”.

Mapeando os vários genomas de cavalos ao longo do tempo, os pesquisadores viram um mosaico de populações de cavalos selvagens que persistiram por milênios. No entanto, tão logo ocorreu a domesticação pelo homem, o mapa mudou drasticamente. “O mapa colorido tornou-se uma cor sólida”, disse Orlando.

“No início, o cavalo estava muito confinado e, de repente, se espalhou pela Eurásia como um incêndio”. Eles concluíram que o genoma de um cavalo específico, o ancestral da atual população de cavalos domésticos, assumiu o controle, tornando dominante essa espécie.

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