A disseminação de fake news durante a pandemia da Covid-19 fez com que muita gente menosprezasse a gravidade da doença ou até mesmo não acreditasse na existência do vírus. Mesmo após milhões de mortes no mundo, ainda há muitos que recusam a tomar a vacina motivados por teorias da conspiração e negacionismo.

Maria das Graças, de 71 anos, morreu vítima da Covid-19 sem acreditar que estava com a doença, mesmo após a orientação dos médicos. Mentindo para a família, a idosa não tomou os remédios corretos e nem fez o tratamento adequado. Adriana Avanci relatou a situação da mãe em uma reportagem do G1.

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Segundo a filha, a mãe recebia fake news sobre a Covid-19 no WhatsApp. A idosa dizia que as mortes eram mentira e que a doença era uma gripe comum. Sem usar máscaras e se proteger do vírus, Maria acabou vindo a óbito pela doença.

“Ela falava daquele povo, que punha as covas abertas e ninguém enterrado. Que era tudo mentira, que essa gripe era uma gripe normal, como todas as outras. Então foi muito difícil fazer ela fazer um isolamento. Ela não fazia”, disse Adriana.

A filha ainda completou: “ela era católica. Mas daquelas católicas muito fervorosas. Então ela achava que não ia morrer antes da hora. Eu falava: ‘Mãe, tem gente que procura morte, tem gente que se mata, é uma forma de suicídio que a senhora tá fazendo, a senhora não tá querendo se cuidar'”.

Adriana relata que mesmo que eles mostrassem informações verdadeiras, a mãe continuava dizendo que era mentira e permanecia vendo vídeos e textos negacionistas nas redes sociais.

Vítima de fake news sobre a Covid-19

Mesmo quando a filha pegou Covid-19, a mãe ainda não acreditou e continuou compartilhando fake news. “Ela falou assim pra mim: ‘Te enfiaram Covid. Não é Covid. Te deram esse atestado porque os hospitais e os médicos ganham muito dinheiro para falar que você tem Covid.

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“Então eles vão pôr que você tem Covid mesmo. É o seguinte, você e seu marido são muito fracos. Não me liga mais. Se você estivesse com câncer, eu ia ter dó de você. Mas você tá com gripezinha se fazendo de mole. Então não me liga mais’”, completou ainda.

Depois de uns dias, Maria também testou positivo, mas se negou a fazer o tratamento e disse para a família que o médico disse que ela estava ótima e não precisava de remédio. Quando piorou, a idosa também não queria ir para a UTI, pois dizia que matariam ela no local.

“Depois de um tempo, meu irmão foi lá na casa dela. Chegou lá mexendo nas coisas dela. O que ele acha? A receita. Ela falou que o médico tinha falado que ela estava ótima, maravilhosa. Mas ele deu tudo para ela tomar. Tudo. Ele falou para ela o que ela tinha que fazer. E ela optou por não fazer”, completou a filha.

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