Nesta sexta-feira (26), o módulo InSight, da Nasa, completa três anos de pesquisa em Marte. Um estudo publicado no início da semana na Nature Communications descreve os mais recentes resultados obtidos pela equipe responsável pela sonda em relação aos dados do solo marciano captados pelo sismógrafo instalado no instrumento.

O InSight (abreviação, em inglês, de “Exploração de interiores usando investigações sísmicas, geodésicas e transporte de calor”) pousou perto do equador marciano em novembro de 2018 com a missão de sondar o interior do planeta com uma precisão nunca alcançada.

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Cientista da equipe InSight preparando o equipamento para um dos últimos testes feitos em Terra antes da sonda ser lançada a Marte. Imagem: NASA / JPL-Caltech / Lockheed Martin

Movido a energia solar, o módulo conta com dois instrumentos científicos principais: uma sonda de calor e um conjunto supersensível de sismômetros. 

Apelidada de “mole” (toupeira, em inglês), a sonda de calor foi fechada no início deste ano. Segundo o site Space, ela nunca conseguiu ir muito longe no subsolo, bloqueado pela poeira marciana, bem difícil de cavar. No entanto, os sismômetros têm sido suficientemente produtivos, registrando e caracterizando centenas de “martemotos” desde que a missão começou.

Ruídos sísmicos permitem entender camada menos profunda do subsolo de Marte

Enquanto os sismômetros se ocupam em detectar as vibrações sísmicas, um outro aparelho é responsável por registar, com precisão e nitidez, os ruídos sísmicos. E esse é o trabalho do sismógrafo.

O trabalho em conjunto desses instrumentos é fundamental, uma vez que a detecção dos tremores por si só, embora forneça uma visão geral das partes internas mais profundas  de Marte – quão grande é o núcleo, se alguma coisa é fundida e assim por diante -, não consegue capturar os pequenos detalhes, como a aparência do solo imediatamente abaixo do InSight.

Parte interna da sonda InSight, em foto tirada um ano antes do envio do módulo a Marte. NASA / JPL-Caltech / Lockheed Martin

No estudo publicado recentemente, os pesquisadores descreveram como conseguiram encontrar períodos de silêncio em Marte que os permitiram fazer imagens mais perto da superfície. Os resultados revelam que o InSight pode estar acima de dois grandes fluxos de lava, separados por camadas de sedimentos.

De acordo com o artigo científico, martemotos não são úteis para identificar características locais. Se suas ondas sísmicas chegam longe o suficiente, seu comportamento é principalmente influenciado pelos materiais pelos quais passaram a maior parte do tempo viajando. 

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Portanto, para examinar a geologia local, é necessário analisar os ruídos sísmicos de fundo que são constantemente captados pela sonda da Nasa.

Segundo os cientistas, quando os dados foram examinados em horários do dia em que os ventos eram geralmente fortes, o ruído acabou sendo dominado por frequências produzidas pela interação do vento com a própria sonda. 

Assim, a equipe se concentrou no que ocorria no início da noite marciana, quando os ventos tendiam a diminuir. Nesse momento, a maior parte do ruído sísmico é gerado por ventos fracos interagindo com a geologia próxima em vez do próprio módulo de pouso.

O que o sismógrafo descobriu sobre o solo marciano

Mais próximo da superfície, o regolito de Marte é formado por poeira e fragmentos de rocha produzidos por impactos. Parece ter apenas 1,5 metros de espessura, embora os pesquisadores alertem que os dados sobre os 20 metros superiores de material são muito incertos. 

Três metros abaixo da superfície, parece haver uma camada de rocha vulcânica, formada por grandes erupções no passado distante do planeta.

Abaixo disso, de cerca de 30 metros a 80 metros (esses números são bastante inexatos), está outra camada de material onde os sinais sísmicos se movem lentamente. Os pesquisadores concluíram que é provável que seja uma camada de rocha sedimentar. Abaixo disso estão outros depósitos vulcânicos.

Os pesquisadores acreditam que os depósitos vulcânicos mais profundos datam do Hesperiano, um período de ampla atividade vulcânica que terminou há mais de 3 bilhões de anos. 

Já o depósito de sedimento sobrejacente se formou enquanto Marte experimentava condições frias e secas semelhantes ao seu estado atual. Depois que esse depósito se consolidou, erupções adicionais cobriram os sedimentos. Desde então, os impactos e os ventos de Marte depositaram uma camada de material solto no topo das camadas vulcânicas.

Obviamente, tudo isso é consistente com o que pode ser observado nas crateras próximas. Ainda assim, é impressionante a quantidade de informações reveladas apenas pela análise dos ruídos.

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