No último dia 24 de novembro, a Nasa lançou a Sonda DART, que tem o objetivo de atingir um asteroide em alta velocidade para avaliar os efeitos desse impacto na órbita da rocha espacial. Mas essa não será a primeira vez que a Nasa joga uma nave propositalmente contra um corpo celeste.

Em 2009, a agência espacial americana atirou deliberadamente um foguete e uma sonda espacial contra a Lua. E isso resultou em uma importante descoberta: confirmou a existência de água em nossa vizinha cósmica.

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Há algum tempo os cientistas já suspeitavam que poderia haver água na superfície da Lua, abrigada em algumas crateras próximas aos polos. No interior dessas crateras, existem grandes áreas que nunca recebem a luz solar. Assim, a água poderia se manter na forma de gelo, protegida da evaporação e dos ventos solares. E pra tentar confirmar essa suspeita, os engenheiros da NASA elaboraram uma missão inédita e suicida: a Missão LCROSS.

O plano era colidir um foguete no interior de uma dessas crateras do polo sul lunar. O impacto deveria levantar uma nuvem de poeira e detritos, enviando o material ejetado até 10 quilômetros acima da superfície. Uma segunda espaçonave, seguindo o foguete, coletaria dados sobre a química dessa nuvem e enviaria as informações para a Terra antes de também se espatifar na Lua minutos depois.

Representação artística da Missão LCROSS, que atirou um foguete contra a Lua em 2009
Representação artística da Missão LCROSS, que atirou um foguete contra a Lua em 2009. Créditos: Nasa

Uma missão um tanto ousada e desafiadora, mas que foi executada com sucesso em 2009. O lançamento ocorreu em junho daquele ano, a partir de Cabo Canaveral, em um foguete Atlas V, que também levava a LRO, uma sonda orbital de reconhecimento lunar e que permanece em órbita do nosso satélite até os dias atuais.

Sondas LRO (prateada) e LCROSS (dourada) sendo preparadas para integração no estágio superior do foguete Atlas V
Sondas LRO (prateada) e LCROSS (dourada) sendo preparadas para integração no estágio superior do foguete Atlas V. Créditos: Nasa/Jack Pfaller

O estágio superior do Atlas V era um foguete Centauro, que levaria a LCROSS e a LRO até a Lua. Depois de 4 dias de viagem, a LRO foi inserida na órbita lunar. Enquanto isso, a LCROSS e o foguete Centauro realizaram uma manobra de assistência gravitacional na Lua para entrar em uma órbita de 36 dias em torno da Terra e que os levaria a colidir com a Lua, na manhã de 9 de outubro de 2009.

Animação mostrando a trajetória da LCROSS (rosa) partindo da Terra (azul) em 18 de junho de 2009 até atingir a Lua (verde) em 09 de outubro de 2009
Animação mostrando a trajetória da LCROSS (rosa) partindo da Terra (azul) em 18 de junho de 2009 até atingir a Lua (verde) em 09 de outubro de 2009. Créditos: JPL, Nasa

Cerca de 9 horas antes do impacto, a LCROSS se separou do foguete e se posicionou para acompanhar de perto o momento em que o foguete Centauro, com mais de 2,3 toneladas atingiria, a cerca de 9 mil quilômetros por hora, o solo lunar, no interior da Cratera Cabeus, a cratera escolhida pelos cientistas.

O impacto gerou um flash que foi registrado pelas câmeras da LCROSS e levantou uma nuvem de poeira e detritos onde a sonda mergulhou, coletando dados e enviando freneticamente para Terra, antes que ela mesma viesse a colidir com a Lua.

Flash de impacto (à esquerda) e nuvem de poeira (à direita) levantada pelo impacto do foguete Centauro registrados pela sonda LCROSS
Flash de impacto (à esquerda) e nuvem de poeira (à direita) levantada pelo impacto do foguete Centauro registrados pela sonda LCROSS. Créditos: Nasa

Os cientistas ficaram eufóricos. Além das informações coletadas pela LCROSS, eles também contavam com os dados da LRO que sobrevoou o local instantes após o impacto. A análise desses dados, confirmou a existência de água na proporção de 5,6% no fundo da Cratera Cabeus.

Mas a maior surpresa para os cientistas da NASA ocorreu alguns dias antes do lançamento da LCROSS, quando astrônomos indianos anunciaram a descoberta de água em outra cratera do polo sul lunar. A descoberta foi feita pela sonda Chandrayaan-1 que analisou a nuvem de poeira levantada pelo impacto de outra sonda. Praticamente a mesma ideia da NASA, só que executada um ano antes dos americanos.

Ainda assim, a Missão LCROSS, além de produzir dados mais detalhados que a Chandrayaan-1, recebeu diversos prêmios por suas realizações técnicas, gerenciais e científicas.

Como podemos ver, nem só de sobrevoos e pousos suaves vive a exploração espacial. Às vezes é preciso um pouco mais de ação, impacto e explosão. E é dos destroços, que muitas vezes vêm as conquistas e as histórias mais épicas.

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