Uma recente caminhada espacial da missão Shenzhou 13, a primeira realizada por uma mulher na história da China também serviu como teste para um novo traje de astronautas e instalação e avaliação de um braço mecânico no módulo Tianhe da estação espacial chinesa.

A ideia era a de colocar tudo isso à prova para que, em caminhadas futuras, todos os artefatos já tenham suas eficácias comprovadas e possam ser usados sem receio de falha – e ao que tudo indica, os astronautas (ou “taikonautas”) aprovaram tudo com honras.

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Imagem mostra momento da caminhada espacial da missão chinesa Shenzhou 13
Novos trajes espaciais foram testados pelos taikonautas da missão Shenzhou 13 durante caminhada espacial (Imagem: CNSA/Divulgação)

Começando pelo braço robótico, que aliás era o objetivo principal da caminhada: ele se trata de uma estrutura alongada de cerca de 10 metros (m) de comprimento. Durante a caminhada foi instalado um conector de dois pontos que vai prendê-lo firmemente ao módulo Tianhe, mas a ideia é que ele seja usado em conjunto com um segundo braço, menor em tamanho e que ainda será enviado ao espaço junto do segundo módulo da estação, o Wentian.

Juntos, os braços serão capazes de manipular objetos massivos no espaço, de acordo com o engenheiro espacial Gao Sheng, que falou sobre ele à mídia estatal chinesa Xinhua. Entretanto, ele não deu números específicos, como capacidade de carga suportada ou se há alguma restrição quanto à natureza de materiais manipulados.

O trabalho de instalação do suporte do braço foi extenso, e precisou ser conduzido por um longo tempo fora da estação. Para isso, o comandante Zhai Zhigang e a auxiliar Wang Yaping utilizaram uma nova versão do traje Feitian (intituladas “Feitian-C”), atualizada para maior duração de suprimentos – cerca de oito horas ininterruptas durante atividades de caminhada – e maior adaptabilidade a corpos de proporções menores.

No caso, Yaping usou o traje com detalhes vermelhos, enquanto Zhigang vestiu a roupa com linhas alaranjadas. Com a vida útil estendida em muitas horas (a versão anterior do traje, criada em 2008, durava apenas 20 minutos), ambos conseguiram realizar o trabalho sem precisar voltar para a parte interna da estação.

“Nós continuamente conduzimos exercícios simulados para descobrir se existe algum problema que precise ser resolvido ao longo do processo, já que os trajes são um risco relativamente alto”, disse Wu Hao, pesquisador assistente do China Astronaut Research and Training Center, durante entrevista à CCTV, outra mídia estatal chinesa.

Ainda há mais duas caminhadas planejadas para a missão Shenzhou-13, que tem um período máximo de duração de seis meses. Após isso, será uma questão de aguardar a chegada dos outros dois módulos: segundo o calendário oficial, o Wentian deve ser lançado entre maio e junho de 2022, enquanto o Mengtian deve sair da Terra entre agosto e setembro do ano que vem.

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