Pode até parecer que o lançamento do telescópio espacial James Webb no último sábado (25) marcou o fim de uma jornada que começou há 25 anos. Mas, na verdade, ele foi apenas mais uma etapa na missão mais cara na história da Nasa, projetada para desvendar os mistérios da origem das primeiras galáxias e a composição da atmosfera de exoplanetas.

O lançamento foi, sim, um momento crítico. Afinal, qualquer falha no processo, de um erro de cálculo na duração do impulso gerado pelo foguete a uma falha na separação do telescópio, poderia pôr fim à missão antes mesmo que os primeiros dados fossem coletados.

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Mas os próximos 30 dias serão ainda mais críticos: é o período de “comissionamento”, quando uma série de operações terão que ser executadas em sequência com precisão absoluta, enquanto o telescópio literalmente se desdobra para assumir sua configuração final e seus instrumentos são preparados para operação.

Colocar o JWST em operação é como montar um quebra-cabeças

Colocar um equipamento sofisticado como o JWST em operação não é nada tão simples quanto apertar um botão depois que ele estiver em órbita. Há todo um período de preparação e testes, no qual os engenheiros irão se certificar de que o telescópio e seus instrumentos estão em posição, funcionando como planejado e prontos para sua missão principal.

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Segundo Keith Parrish, gerente do observatório James Webb e líder de comissionamento, todo o processo pode levar até seis meses. “Começa com o primeiro dia de atividades, que é entrar com segurança em órbita […] Definimos ‘seguro’ como: Webb está falando com o solo, seus painéis solares estão estendidos e gerando energia e estamos a caminho do ponto L2”.

12 horas e meia depois do lançamento é feita uma manobra de correção de curso, para garantir que o telescópio esteja viajando na direção e velocidade corretas para atingir L2. Dois dias depois, uma segunda manobra de correção pode ser feita, caso necessário.

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Três ou quatro dias após o lançamento, começa uma das partes mais importantes da missão: a implantação. É o momento em que instrumentos são desdobrados e as coisas são colocadas “no lugar”. Pense nele como o momento em que você começa a abrir as caixas depois de uma mudança.

O primeiro item a ser implantado é o escudo solar, composto por cinco camadas de um material muito fino e brilhante, projetado para proteger o telescópio e seus instrumentos da luz e calor do Sol.

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Sequência de implantação do Telescópio Espacial James Webb. Vídeo: Nasa

Depois vem os espelhos: o espelho primário do James Web, aquele composto por 18 painéis hexagonais dourados, vai ao espaço dobrado em três partes, e precisa ser desdobrado. Há também o espelho secundário, que irá concentrar a luz refletida pelo primário e direcioná-la aos instrumentos científicos. Ele é montado de uma espécie de “tripé”, que é armado em frente ao espelho principal.  

“Acreditamos que entre o 10º e o 14º dia, teremos os espelhos primário e secundário totalmente implantados”, diz Parrish. A seguir, a equipe responsável pelos sistemas ópticos irá usar micromotores para alinhar cada um dos 18 painéis que compõem o espelho principal. Cerca de 30 dias após o lançamento haverá a confirmação de que todo o equipamento foi implantado com sucesso.

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Mas isso não é tudo…

Mas a tensão não acaba aí. O passo seguinte é o acionamento dos propulsores para uma última correção de curso a caminho de L2. Uma vez lá, o ritmo das operações diminui um pouco. Serão necessários de três a quatro meses para que o telescópio esteja frio o bastante, quase próximo do zero absoluto, para que seus instrumentos possam operar. Nesse período, a equipe óptica continuará refinando o posicionamento dos espelhos, e o instrumento FGS, responsável pela orientação do telescópio, será ativado.

Telescópio Espacial James Webb
Espelho Primário do JWST. Imagem: Nasa/Divulgação

Depois o controle é passado às equipes que vão operar os instrumentos do JWST. “Temos quatro instrumentos e [essas equipes] farão uma série de exercícios de calibração com eles. Esses exercícios variam de medições de estabilidade térmica à observação de áreas escuras e eliminação de todos os artefatos nos instrumentos que possam interferir com as observações científicas”.

Esta última etapa deverá levar cerca de dois meses, encerrando um total de seis meses de comissionamento. Se tudo correr como esperado, o James Webb estará pronto para começar a observar o universo.

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