A Tesla está sendo criticada por abrir um showroom na capital de Xinjiang, uma região da China marcada por repressão contra a população uigur, uma minoria turcomena formada em boa parte por religiosos muçulmanos. O Conselho de Relações Americano-Islâmicas (CAIR) pediu o fechamento imediato do showroom, e a cessação do que alegou equivaler a “um apoio econômico para o genocídio”.

Segundo a Human Rights Watch, Elon Musk e sua empresa devem considerar os direitos humanos na região chinesa ou correr o risco de ser cúmplices.

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A pesquisadora australiana da organização internacional não governamental voltada aos direitos humanos, Sophie McNeill, disse que Beijing e as empresas vêm apostando na disposição global de colocar os lucros à frente dos direitos humanos, mesmo em face dos crimes contra a humanidade. “Não devemos permitir que isso continue em 2022”, disse McNeill.

Já Ibrahim Hooper, diretor de comunicações nacionais do CAIR, disse que “nenhuma empresa americana deveria fazer negócios em uma região que é o ponto focal de uma campanha de genocídio visando uma minoria religiosa e étnica”.

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Entre apoios e boicotes

Em posts na rede social Weibo, para anunciar seu showroom em Urumqi (capital de Xinjiang), a Tesla mostrou fotos das festividades de abertura e escreveu “vamos lançar juntos Xinjiang em sua jornada elétrica”. A decisão da montadora de carros elétricos atraiu algum apoio na rede social chinesa, e veio uma semana depois da Intel ter solicitado aos fornecedores que não comprassem bens, serviços ou mão de obra da região.

A mídia estatal da China acusou a empresa de tecnologia norte-americana de ofender o mercado chinês. Depois de uma reação negativa, a Intel publicou uma carta para “se desculpar profundamente pela confusão”, dizendo que o pedido era uma questão de conformidade com a lei dos EUA e não representava sua posição com relação à região chinesa.

O presidente Joe Biden assinou no mês passado a Lei de Prevenção ao Trabalho Forçado dos Uigur, e o governo dos Estados Unidos pretende conduzir um boicote diplomático às próximas Olimpíadas de Inverno de Beijing.

Enquanto isso, a porta-voz da Casa Branca disse que não comentaria diretamente sobre a ação da Tesla. De forma mais generalizada, Jen Psaki falou que o setor privado deveria se opor aos abusos dos direitos humanos e ao genocídio em Xinjiang.

China diz que as críticas são “hipocrisia”

A China diz que as críticas contra seu país e contra a Tesla são uma forma de “aplicar coerção econômica e repressão política” sob o pretexto dos direitos humanos. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin, acusou os críticos de hipocrisia.

Ativistas afirmam que pelo menos um milhão de pessoas foram detidas em campos e centros de detenção em Xinjiang, sendo submetidas a abusos como supressão de atividades religiosas, supostos programas de trabalho forçado e controle de natalidade forçado. Beijing nega todas as acusações de abusos dos direitos humanos e diz que suas políticas fazem parte dos esforços antiterrorismo e dos programas de redução da pobreza.

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