O cientista Xiang Haitao se declarou culpado pelo roubo de segredos agrícolas da Monsanto, destinados a chegar às mãos do governo chinês. De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ), Haitao, que morava em Chesterfield, Missouri, assumiu um cargo na Monsanto e em sua subsidiária, The Climate Corporation, entre 2008 e 2017.

As empresas desenvolveram uma plataforma online para os agricultores administrarem as informações de campo e produção, em uma tentativa de melhorar a produtividade da terra. O cientista chinês foi acusado de roubar informações sobre um algoritmo chamado Nutrient Optimizer, existente na tecnologia e considerado “um segredo comercial valioso” com o objetivo de beneficiar um governo estrangeiro, “a saber, a República Popular da China”.

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Em junho de 2017, Xiang deixou essas empresas e embarcou em um voo de volta para a China no dia seguinte. O homem de 44 anos chamou a atenção dos funcionários do aeroporto que realizaram uma busca – porém, foi só mais tarde que os investigadores encontraram cópias do Nutrient Optimizer armazenadas em seus dispositivos eletrônicos.

Já na China, Xiang começou a trabalhar para o Instituto de Ciência do Solo da Academia Chinesa de Ciências. No entanto, durante uma viagem de volta aos Estados Unidos, o cientista foi preso e acusado.

O cidadão chinês submeteu-se à acusação de conspiração para cometer espionagem econômica e pode pegar até 15 anos de prisão, além de pagar uma multa de até US$ 5 milhões (R$ 28,4 milhões). A sentença está marcada para 7 de abril.

Risco à segurança nacional dos Estados Unidos

O procurador norte-americano Sayler Fleming disse que o cientista usou seu status de insider em uma grande empresa internacional para roubar segredos comerciais valiosos para uso na China. Segundo ele, esses crimes representam um perigo para a economia dos EUA e colocam em risco a liderança do país em inovação e segurança nacional.

Enquanto isso, a Monsanto admitiu no mês passado ter praticado 30 crimes ambientais, incluindo o uso ilegal de um pesticida proibido no estado norte-americano do Havaí. O acordo de confissão inclui uma multa de US$ 12 milhões (R$ 68 milhões). A Monsanto faz parte da empresa farmacêutica e química alemã Bayer AG desde 2018.

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Imagem: PixxlTeufel/Pixabay/CC