Segundo um estudo liderado pelos Professores Lin Yangting e Lin Honglei, do Instituto de Geologia e Geofísica da Academia Chinesa de Ciências (IGGCAS) e publicado na última sexta-feira (7) no periódico Science Advances, o módulo de pouso da missão chinesa Chang’e 5 detectou sinais inconfundíveis da presença de água na superfície lunar, marcando a primeira vez que isso é feito “in situ”, ou seja, no local.

Vários estudos e observações feitos a partir da órbita na última década apontavam a presença de água, na forma de H₂O ou Hydroxyl (OH, combinação de uma molécula de oxigênio com uma de hidrogênio) na superfície lunar. Mas os mesmos resultados nunca haviam sido obtidos por análises diretamente no solo.

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A missão Chang’e 5 teve como objetivo coletar amostras do solo lunar e enviá-las de volta à Terra. Para isso, ela era composta de um módulo orbital (Orbiter), um módulo de pouso (Lander), um módulo de ascensão (Ascender) e uma cápsula de retorno (Returner).]

Módulos de pouso e ascensão da Chang’e 5 durante teste pré-lançamento na China. Imagem: China News Service (CC-BY-3.0)

O módulo de pouso chegou à superfície da Lua em 1º de dezembro de 2020. 1,7 Kg de amostras foram coletadas e transferidas para o módulo de ascensão, que decolou em 3 de dezembro. Em 5 de dezembro ele se reencontrou com o módulo orbital, que transferiu as amostras para a cápsula de retorno e iniciou a jornada de volta à Terra. Ao passar por nosso planeta o módulo orbital ejetou a cápsula, que pousou no interior da Mongólia em 16 de dezembro de 2020.

Segundo o site Phys, enquanto coletava amostras o módulo de pouso usou um instrumento chamado espectrômetro mineralógico lunar (LMS) para fazer uma análise espectral do regolito (solo lunar) e de uma rocha. Após compensar a emissão de calor da superfície lunar, que poderia distorcer os dados, os cientistas encontraram “sem sombra de dúvida” absorção espectral na faixa de 2,85 micrômetros (µm), condizente com o esperado para a presença de água.

Os dados apontam uma quantidade de água no solo lunar de 120 partes por milhão, o que é consistente com a implantação solar: ou seja, moléculas de água são carregadas pelo vento solar e ficam presas no solo.

A análise da rocha apontou uma concentração ainda maior, 180 partes por milhão. A diferença na composição indica que a rocha pode ter sido formada em uma região diferente, composta por basalto, e ejetada para o local da Chang’e 5 por um impacto com um meteorito.  

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A busca de água, na forma de H₂O ou Hydroxyl, era um dos objetivos da missão indiana Chandrayaan-2, que tentou, sem sucesso, pousar na Lua em setembro de 2019. O contato com o módulo de pouso, chamado Vikram, foi perdido quando ele estava a 2,1 km de distância da superfície.

Especula-se que a superfície da Lua também contenha água na forma de gelo, no fundo de crateras e vales que não são iluminados pela luz solar. Se confirmado, este seria um recurso valiosíssimo para futuras missões tripuladas, tanto as de curta duração como as que visam estabelecer uma presença humana permanente. 

Além de sustentar astronautas, água também pode ser usada na produção de oxigênio para a manutenção de uma atmosfera respirável, e como fonte de combustível para foguetes. Isso tornaria a Lua, graças à sua gravidade fraca, um bom ponto de partida para a exploração do sistema solar.

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