Desde quando foi descoberto, em julho de 2017, o objeto interestelar ‘Oumuamua tem causado confusão na comunidade científica: até hoje, nós conseguimos determinar que ele veio de fora do sistema solar. Mas ainda não sabemos exatamente “o que” ele é.

Uma sugestão feita pela ONG britânica Initiative for Interstellar Studies (IIS) quer mudar isso: basicamente, ela gostaria de conduzir um “jogo de pega-pega”, onde nós lançaremos uma nave da Terra que, após diversas manobras de impulso, alcançaria o ‘Oumuamua em cerca de 26 anos.

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Ilustração mostra o misterioso objeto interestelar 'Oumuamua
O ‘Oumuamua é um dos objetos mais misteriosos que já avistamos no espaço: ele veio de fora do sistema solar, mas ninguém sabe exatamente “o que” ele é (Imagem: Wikimedia Commons/Reprodução)

A proposta tem solidez científica: em termos mais técnicos, a ideia é usar um método já conhecido de aceleração planetária, ou “estilingue gravitacional”, comumente usado por várias agências espaciais. Em resumo: a nave faria duas passagens pela órbita da Terra, usando nossa rotação como impulso para chegar a Vênus, onde conduziria o mesmo processo para chegar a Júpiter, onde executaria a manobra uma última vez, em direção a ‘Oumuamua.

Isso tudo no intuito de levantar mais informações sobre o estranho objeto, que, segundo várias teorias, já foi considerado um agregado de poeira cósmica (pense na poeira que se junta no pés de uma mesa — só que em escala cósmica), um iceberg de hidrogênio, um iceberg de nitrogênio, uma vela solar alienígena e, mais recentemente, um fragmento de um planeta impactado por imensa força gravitacional. Houve até quem o chamasse de “pedaço de algum exo-Plutão”, sugerindo que algum planeta-anão similar a Plutão tivesse se despedaçado fora daqui.

O problema: qualquer uma dessas teorias — ou nenhuma delas — só pode ser comprovada mediante observação direta. E a melhor forma de fazer isso é enviando uma sonda ou algum outro tipo de nave até ‘Oumuamua, para coletar amostras ou conduzir observações usando diferenciados instrumentos de imagem.

“Nós sabemos, hoje, que uma missão desse tipo é factível, ao menos a princípio”, disse Adam Hibberd, desenvolvedor do software que conduziu simulações de uma missão do tipo. “O possível retorno científico seria tremendo e poderia, fundamentalmente, alterar o nosso entendimento de nosso lugar no universo”.

A IIS emitiu um paper de considerações científicas sobre a possibilidade de uma missão do gênero. O material foi publicado no Research Gate em estado de pré-avaliação.

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