Malware brasileiro Brata agora pode “limpar” seu smartphone Android depois de roubar seus dados

O malware brasileiro Brata, que tem como alvo smartphones Android, agora pode limpar os dispositivos, apagando todos os arquivos
Malware encontrado na Play Store foi instalado em mais de dez mil aparelhos
Foto: Suttipun/Shutterstock

Um malware particularmente difícil de se livrar, o trojan bancário brasileiro Brata (Brazilian RAT Android), ganhou uma atualização, com alguns novos recursos. Dentre eles, rastreamento por GPS, capacidade de usar vários canais de comunicação e uma danosa função que executa uma redefinição de fábrica no smartphone (para limpar todos os vestígios de atividades maliciosas).

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Descoberto em 2019 pela Kaspersky, o Brata é uma ferramenta de acesso remoto (Remote Acess Tool, RAT) que visava principalmente usuários brasileiros. Em dezembro de 2021, um relatório da empresa de segurança Cleafy destacou o surgimento do malware na Europa, onde foi visto visando usuários de e-banking e roubando credenciais das vítimas com o envolvimento de fraudadores se passando por agentes de suporte ao cliente.

Mais vítimas e mais recursos

Conforme aponta um novo relatório da Cleafy, o malware evoluiu em termos de novos alvos e novos recursos. Com novas versões diferentes, o Brata agora visa usuários de e-banking no Reino Unido, Polônia, Itália, Espanha, China e América Latina.

O Brata.A adicionou o recurso de rastreamento por GPS (acrescentado em todas as variantes) e a capacidade de redefinição de fábrica (ou seja, limpar o smartphone). Enquanto isso, o Brata.B possui os mesmos recursos, além de mais códigos ofuscados e páginas de sobreposição personalizadas para bancos específicos, visando captura de detalhes de login da vítima.

A solução usada para implantar o malware em smartphones por meio do Brata.C é usar um aplicativo primário que pode baixar e instalar um aplicativo secundário com o malware. Em outras palavras, depois que a vítima instala o aplicativo de download, é necessário aceitar apenas uma permissão para que seja baixado e instalado o aplicativo malicioso de uma fonte não confiável.

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O mais assustador dos novos recursos maliciosos é a realização de redefinição de fábrica nos aparelhos, que os atores nocivos realizam nas seguintes situações: o comprometimento foi concluído com sucesso e a transação fraudulenta terminou (ou seja, as credenciais foram exfiltradas); o aplicativo detectou que é executado em um ambiente virtual, provavelmente para análise.

O Brata usa as redefinições de fábrica como um kill switch para autoproteção. Entretanto, como o malware limpa o smartphone, também ocorre a possibilidade de perda repentina e irreversível de dados para a vítima.

Instruções para se proteger do Brata (e de outros trojans bancários)

Existe uma gama de trojans bancários do Android e RATs furtivos em circulação, visando as credenciais bancárias das pessoas. Uma das mais importantes formas de evitar ser infectado por malware do Android é instalar aplicativos da Google Play Store, evitar APKs de sites duvidosos e sempre escaneá-los com uma ferramenta antivírus antes de abrir.

Durante a instalação, preste muita atenção às permissões solicitadas e evite conceder qualquer permissão que pareça desnecessária para a funcionalidade principal do aplicativo. Por fim, monitore o consumo de bateria e os volumes de tráfego de rede para identificar quaisquer picos inexplicáveis ​​que possam ser atribuídos a processos maliciosos executados em segundo plano.

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Via Bleeping Computer e XDA Developers

Ronnie Mancuzo
Ronnie Mancuzo

Ronnie Mancuzo é analista de sistemas com especialização em cybercrime e cybersecurity | prevenção e investigação de crimes digitais. Faz parte do Olhar Digital desde 2020.

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