Uma pesquisa feita por astrônomos da Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, sugere que, mesmo perto da morte, alguns tipos de estrelas ainda podem formar planetas. Se isso for confirmado, as teorias sobre a formação de planetas, provavelmente, deverão ser ajustadas.

Mundos como a Terra, e todos os outros que fazem parte do nosso sistema solar, foram formados pouco tempo depois do Sol. Nosso “astro-rei” começou a queimar há 4,6 bilhões de anos, e nos milhões de anos seguintes, a matéria ao seu redor se transformou em protoplanetas.

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Discos em torno das chamadas estrelas binárias evoluídas não mostram sinais que poderiam apontar para a formação de planetas.
Imagem: N. Stecki

O nascimento dos planetas naquele disco protoplanetário, uma “panqueca” gigantesca feita de poeira e gás com a estrela no meio, explica por que todos orbitam no mesmo plano.

No entanto, tais discos de poeira e gás não precisam necessariamente cercar somente estrelas recém-nascidas. Eles também podem se desenvolver independentemente a partir da formação estelar, por exemplo, em torno de estrelas binárias das quais uma está morrendo — estrelas binárias são duas estrelas que orbitam uma à outra, também chamadas de sistemas binários. 

Estrelas binárias formam discos semelhantes aos protoplanetários

Quando o fim se aproxima de uma estrela de tamanho médio (como o Sol), ela catapulta a parte externa de sua atmosfera para o espaço, processo depois do qual ela lentamente morre, como as anãs brancas. 

No entanto, no caso das estrelas binárias, a atração gravitacional da segunda estrela faz com que a matéria ejetada pela estrela moribunda forme um disco plano e rotativo. Além disso, esse disco se assemelha fortemente aos discos protoplanetários que os astrônomos observam em torno de estrelas jovens em outros lugares da Via Láctea.

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Segundo os pesquisadores, os discos em torno das chamadas estrelas binárias evoluídas não mostram sinais que poderiam apontar para a formação de planetas. Ainda assim, suas observações mostram que esse é o caso de uma em cada dez dessas estrelas binárias.

“Em 10% das estrelas binárias evoluídas com discos que estudamos, vemos uma grande cavidade no disco”, diz o astrônomo Jacques Kluska, primeiro autor do artigo que descreve a pesquisa e foi publicado na revista Astronomy & Astrophysics. “Isso é uma indicação de que algo flutuando por lá coletou toda a matéria na área da cavidade”.

E essa coleta pode ser obra de um planeta que pode não ter se formado no início da vida de uma das estrelas binárias, mas, sim, no final. Além disso, os astrônomos encontraram mais fortes indicações da presença de tais planetas. “Nas estrelas binárias evoluídas com uma grande cavidade no disco, vimos que elementos pesados como o ferro eram muito escassos na superfície da estrela moribunda”, diz Kluska.

“Essa observação leva a suspeitar que partículas de poeira ricas nesses elementos foram fixadas por um planeta”, completou Kluska, que não descarta a possibilidade de que, dessa forma, vários planetas possam ser formados ao redor dessas estrelas binárias.

Inventário de estrelas binárias da Via Láctea

A descoberta foi feita quando os astrônomos estavam elaborando um inventário de estrelas binárias evoluídas na Via Láctea. Eles fizeram isso com base em observações existentes e disponíveis publicamente. Kluska e seus colegas contaram 85 desses pares de estrelas binárias. Em dez pares, eles identificaram um disco com uma grande cavidade nas imagens infravermelhas.

Os astrônomos envolvidos na descoberta afirmam que ela será útil para outras investigações, mas dizem que querem, eles mesmos, verificar suas hipóteses. Para isso, usarão os grandes telescópios do Observatório Europeu do Sul no Chile para dar uma olhada mais de perto nos dez pares de estrelas binárias cujos discos mostram uma grande cavidade.

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