Apesar de ter encarado — e superado — uma recente tempestade de areia em Marte, a sonda de pouso InSight está com seus dias contados e não deve passar deste ano, de acordo com a agência espacial norte-americana (NASA).

De acordo com a agência, os níveis cada vez menores de energia gerados por seus painéis solares devem fazer com que a missão — iniciada em maio de 2018 — “termine antes de um ano”. Segundo apresentação ministrada pelo investigador chefe do InSight na NASA — Bruce Banerdt —, uma tempestade regional ocorrida em janeiro se expandiu rápido demais, impossibilitando qualquer antecipação por parte da agência.

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Ilustração em 3D mostra o módulo InSight, enviado a Marte pela Nasa em 2018
Acúmulo excessivo de poeira e partículas nos painéis da sonda InSight farão com que ela deixe de funcionar ainda em 2022, segundo a NASA (Imagem: Fabiobispo3D/Shutterstock)

Segundo suas especificações técnicas, a sonda InSight entra automaticamente em modo de segurança quando identifica um bloqueio duradouro da exposição à luz solar. Tal função foi acionada em 7 de janeiro, data de início da tempestade. Banerdt afirmou que a expectativa de retorno ao normal era de 5 de fevereiro. Isso ocorreu, mas não sem consequência.

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“Nós não tivemos qualquer tipo de alerta sobre isso”, disse o investigador.

Tempestades de areia são medidas por uma unidade de profundidade óptica referida como “tau” — quanto maior o seu valor, menos luz solar incide sobre determinada área ou superfície. Em Marte, tempestades de areia intensas são comuns e sazonais — a NASA até se refere ao período de início de ano da Terra como “estação empoeirada” devido à incidência maior dos eventos nesse período.

De acordo com as medidas da agência, a tempestade de 7 de janeiro não chegou a dois “taus”, mas reconhece que mesmo isso é problemático: “isso ainda é bastante poeira, mas não a ponto de ameaçar a nave”, disse Banerdt. “A InSight poderia suportar até quatro ‘taus’ antes que a falta de luz solar causasse grandes preocupações. Comparativamente, o rover Opportunity, cuja missão acabou após uma tempestade em 2018, mediu um evento de 10,8 ‘taus’ antes de ficar offline”.

Entretanto, a sonda InSight vem coletando poeira de Marte sobre seus painéis solares desde que chegou ao planeta vermelho. Ao contrário de outros maquinários — como o (falecido) Opportunity e rovers mais recentes como o Perseverance — que contam com mecanismos de limpeza, a sonda acaba acumulando a poeira.

Em um painel similar apresentado pelo próprio Banerdt em junho de 2021, a expectativa era a de que a sonda InSight deixasse de responder à NASA entre março e junho de 2022. Embora essa previsão tenha se adiado um pouco, as esperanças de continuidade ainda são praticamente nulas.

“As nossas projeções atuais indicam que a energia cairá a níveis abaixo do mínimo necessário para operar o artefato entre maio e junho, e abaixo da capacidade de sobrevivência em algum momento perto do fim de ano”, disse o investigador.

A NASA ainda está executando procedimentos que limpam os painéis da sonda, até certo grau. Um deles envolve usar um dos seus braços para “jogar poeira em cima da poeira”, acredite se quiser: “parece até loucura fazer isso, mas realmente funciona”, disse Banerdt.

Basicamente, isso envolve coletar punhados de poeira mais fina da superfície de Marte e jogar na parte mais alta dos painéis. A poeira fina desce, deslocando os pedaços mais grossos que já estão sobre a sonda. Segundo Banerdt, a cada vez que a agência fez isso, a performance dos painéis melhorou entre 1% e 3%.

Ainda assim, o futuro não é promissor: “não devemos mais receber dados muito consistentes depois de junho ou julho”, ele comentou.

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