A Estação Espacial Internacional (ISS) não deixou passar despercebida a erupção do Monte Etna, na região italiana da Sicília, perto do Mar Mediterrâneo. O vulcão está apresentando uma atividade tão evidente que até mesmo os membros da Expedição 66, atualmente a bordo da estação, compartilharam suas impressões no Twitter.

Antes de mais nada, é importante ressaltar que, ao contrário do que vimos em Tonga ou nas Ilhas Canárias, as erupções do Monte Etna são bem comuns. Somente em 2021, o vulcão teve tanta atividade que o monte onde sua caldeira está localizada “cresceu” cerca de 30 metros (m).

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“Não é uma foto muito limpa já que há muita umidade do ar da Europa neste momento, mas o vulcão Etna está claramente expelindo fumaça (e cuspindo lava, conforme vi no noticiário)”, disse o astronauta da agência espacial europeia (ESA), o alemão Matthias Maurer, em referência ao astronauta Luca Parmitano, natural da Itália.

Já o cosmonauta russo Anton Shkaplerov, da agência Roscosmos, comentou: “recentemente, outra erupção do Monte Etna, na ilha italiana da Sicília, começou. A lava vermelha e quente fluiu da cratera, e nuvens de cinzas e fumaça estão no céu sobre a Sicília. A atividade vulcânica então para, e recomeça depois, com poderosas explosões”.

A ISS não é a única a tecer comentários sobre o Monte Etna: a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) o considera um patrimônio natural histórico, e especialistas afirmam que ele se trata de um “estratovulcão”, um tipo de vulcão em forma de cone, com as laterais bastante íngremes. Segundo vulcanólogos, vulcões deste tipo são mais propensos a explosões de grande porte devido ao acúmulo de pressão por baixo do magma mais viscoso, que se acumula em suas encostas.

Cerca de 20% da população da Sicília vive aos pés do Monte Etna, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), em virtude da agricultura. A lava, após secar, torna o solo imensamente produtivo para o plantio e a colheita, fazendo da Sicília uma das principais produtoras de vinhos finos do mundo, entre outros produtos.

A vantagem de ser um vulcão tão ativo, porém, é que o Etna tem erupções em períodos específicos, o que torna fácil antecipar quando ele se sente “irritado”, então serviços de emergência estão habituados a lidar com manobras de controle populacional. Fora dos períodos de atividade — geralmente, no inverno italiano — o vulcão, que conta com dezenas de pequenas crateras fora a principal, é um dos mais buscados pontos turísticos do mundo.

Curiosidade: embora “vulcão” seja um substantivo masculino tanto em português como em italiano (“il vulcano”), a população da Sicília refere-se ao Etna por pronomes e tratamentos femininos, normalmente dando-lhe apelidos carinhosos como “mamma” ou “La Signora” (“mamãe” e “senhora”, respectivamente).

O fato de ele aumentar de tamanho conforme explode levou observatórios de todo o mundo a concluir que ele “nasceu” como um vulcão submarino. Ele data de mais ou menos 300 mil anos atrás, mas já teve tanta atividade ao longo dos milênios que, literalmente, “cresceu” para fora do mar.

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